Web Radio Jesus Cristo Gospel: 2013-02-10

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013


Católicos pedem saída do Papa após casos de abuso sexual

Bento XVI
O movimento católico progressista alemão Iniciativa Igreja de Baixo (IKvU, na sigla em alemão) pediu a saída do papa Bento XVI em decorrência dos recentes casos de pedofilia surgidos na Alemanha e que envolvem religiosos do país.
“Seria um gesto purificador se [Joseph] Ratzinger dissesse: ‘sou um obstáculo a uma purificação da Igreja. Me demito’”, declarou o diretor do movimento, Bernd Goehring, segundo informações do jornal Financial Times Deutschland.
Entre as críticas citadas pelo religioso estava o caso surgido na sexta-feira, no qual um padre pedófilo foi transferido para Munique na época em que Bento XVI era arcebispo de Munique e Freising, tendo continuado a exercer seu trabalho pastoral na região.
O então vigário-geral da arquidiocese, Gerhard Gruber, que atualmente possui 81 anos, assumiu toda a responsabilidade sobre a questão, afirmando que a decisão de transferir o padre acusado de abusos sexuais contra menores partiu unicamente dele.
Uma nota divulgada no site do arcebispado dizia que o Papa ordenou somente que o sacerdote fosse acolhido em uma casa paroquial para fazer terapia, e que foi Gruber, “afastando-se desta decisão”, quem o designou sem limitações a uma paróquia de Munique.
Para Goehring, a admissão do ex-vigário-geral é uma manobra tática. “Do nosso ponto de vista, é uma questão de responsabilidade moral”, informou ele.
Ontem, o padre envolvido no caso, identificado como Peter H, foi contestado por alguns fieis da paróquia de Bad Tölz, na região da Baviera.
Atualmente com 62 anos, o religioso foi transferido em 1980 da diocese de Essen, na Renânia do Norte-Vestefália, onde cometeu violências contra menores. Ele continuou a abusar de crianças após a transferência e foi condenado a 18 meses de prisão em 1986.
H recebeu o cargo de pároco de Bad Tölz em 2008, mas os fieis souberam de seus antecedentes somente após a denúncia feita pelo jornal Süeddeutsche Zeitung. Como ele não celebrou a missa dominical, alguns fieis se manifestaram querendo saber onde o sacerdote estava; outros protestaram e houve aqueles que deixaram a Igreja durante o confronto.
Também recentemente surgiram denúncias de abusos sexuais cometidos durante os anos 1970 e 1980 em escolas jesuítas alemãs, além de suspeitas no coro da catedral de Regensburgo, que foi dirigido pelo irmão do Pontífice, Georg Ratzinger, durante trinta anos.
Em referência aos casos de pedofilia, o vice-presidente do parlamento local, Wolfgang Thierse, membro do Comitê Central dos Católicos Alemães, declarou que “a credibilidade da Igreja está vacilando de modo muito grave” e pediu “maior honestidade” a Bento XVI.
“A consternação dos crentes é enorme”, disse o congressista a uma emissora pública, dizendo-se favorável ao relançamento do debate sobre o celibato. Segundo ele, “a Igreja deve ser mais honesta e severa consigo mesma e isto vale também para o Papa”.

O Papa Bento XVI renuncia ao Pontificado

11.02.2013, 21:11, hora de Moscou
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Papa, Bento XVI, Igreja Católica
AFP

O Vaticano está confuso. O 265º pontífice Bento XVI anunciou seu afastamento do trono romano. Ele pretende fazer isto no fim de fevereiro. A versão oficial: por motivo de saúde. Entretanto na história do Vaticano a renúncia ao pontificado é um caso quase que sem precedentes. Especialistas russos tecem considerações sobre as causas da saída do atual papa romano.

Em abril deste ano Bento XVI completa 86 anos. Ele subiu ao trono da igreja católica romana em 19 de abril de 2005 e naquele momento era o mais velho a ser eleito papa romano desde o final do século XVIII. O próprio pontífice explicou que a causa de sua saída era o cansaço e falta de forças. “Após ter repetidamente examinado minha consciência perante Deus, eu tive certeza de que minhas forças, devido à avançada idade, não são mais apropriadas para o adequado exercício do ministério de Pedro”, declarou ele durante culto dedicado à canonização de mártires da cidade de Otranto.
No entanto alguns céticos supõem que a causa da renúncia ao trono romano não é absolutamente a saúde de Bento XVI. E sim os escândalos que abalaram um após outro o trono sagrado nos últimos tempos. Por um lado os numerosos escândalos relacionados comsacerdotes pedófilos. Por outro falaram também da luta dentro da própria cúria romana. Reiteradas vezes na imprensa vazou a informação sobre contraposição de dois grupos do Vaticano: a velha guarda contra os partidários de Bertone, secretário de estado do Vaticano.
Entretanto o estudioso de religião, Alexei Yudin, está convicto de que a causa da saída é outra.
"O nível e grau destes escândalos não eram muito altos. Ele poderia alcançar um plano cardeal ou nível de gestão pela cidade estado do Vaticano, mas não mais. É extremamente complexo supor que todos estes escândalos poderiam afetar pessoalmente o papa. Sobretudo porque estes escândalos não tiveram quaisquer consequências catastróficas."
Eis outro especialista russo no campo das religiões, Yuri Tabak, que, ao contrário, está convicto de que a causa da saída de Bento XVI é qualquer coisa, mas não o estado de saúde.
"Ninguém renuncia por estado de saúde é extremamente importante e honroso este cargo. Por isso, naturalmente, muitos pensaram, será realmente pelo estado de saúde que o Bento XVI sai, ou será por motivo de particularidades de sua presença no trono. Não se pode dizer que a época de seu pontificado foi fácil e sem nuvens. Possivelmente a renúncia do Papa está relacionada com a pressão sobre ele dos cardeais, entre os quais ele não goza de especial popularidade depois do papa anterior – João Paulo II, que foi um dos homens mais prestigiados, amados e respeitados no planeta que ocuparam tal posição."
Yuri Tabak está convicto de que em breve o Vaticano terá uma luta de bastidores. Pois, por enquanto, na cúria não há um candidato brilhante ao trono romano, prossegue o especialista:
"Hoje um dos candidatos pode ser, talvez, considerado apenas o cardeal Koch, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, mas ainda assim não existem candidatos evidentes ao cargo de papa romano. O mais provável é que lá existam diferentes campos e grupos de cardeais, que se diferenciam por conservadorismo maior ou menor e entre eles será a principal luta pela promoção de seu candidato. Então será definida a orientação ulterior do desenvolvimento da Igreja Católica Romana."
O conclave dos cardeais será em março. Justamente nele será eleito o novo chefe da Igreja Católica Romana.

Escândalo em torno de carne de cavalo está chocando a Europa

 
11.02.2013, 17:30, hora de Moscou
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carne de cavalo
© en.wikipedia.org/Sara Yeomans/cc-by

O governo francês convocou os principais representantes da indústria da carne para uma reunião, a fim de exigir explicações sobre o escândalo em torno das refeições que deviam ser de carne de vaca, mas que continham, na verdade, carne de cavalo.

Seis redes de supermercados do país pararam a venda de semifabricados suspeitos. Um número de fornecedores seguiu o exemplo da empresa Sparghero que pretende processar os pecuaristas romenos.
O presidente romeno, Traian Basescu, por sua vez, confirmou a realização de verificações em matadouros que tinham violado suas obrigações contratuais.

Se pastor é empregado, templo pode pagar imposto?

“O TST (Tribunal Superior do Trabalho) manteve pela primeira vez uma decisão que reconheceu vínculo empregatício na função de pastor evangélico. A decisão permite, assim, o direito a possíveis indenizações trabalhistas.
A Igreja Universal, onde atuou o pastor que ganhou a ação, ainda pode tentar recorrer ao próprio TST e ao Supremo Tribunal Federal (…) Até agora, raros pedidos semelhantes tinham obtido sucesso em instâncias inferiores, mas acabavam esbarrando na jurisprudência do próprio TST.
Segundo essas decisões anteriores da corte máxima da Justiça do Trabalho, o serviço prestado por religiosos a igrejas é voluntário e baseado na fé, e não em relações materiais – logo, não existiria uma relação trabalhista. Mas Carlos Henrique de Araújo, que entre 1999 e 2007 foi pastor da Igreja Universal do Reino de Deus no Rio de Janeiro, trouxe um elemento diferente: ele argumentou, e de acordo com a Justiça conseguiu provar, que era cobrado por metas de arrecadação de doações para a denominação evangélica.
Afirmou também que, quando não conseguiu alcançar esses objetivos, seu ganho mensal, que era de R$ 2.400, foi cortado pela metade. Mais tarde, Araújo foi desligado em meio a suspeitas de colegas de que desviou as contribuições – a acusação foi considerada falsa pela Justiça, o que o levou a receber uma indenização por dano moral de R$ 19 mil.
Pedindo um total de R$ 155,7 mil, Araújo juntou ao processo recibos de pagamentos e testemunhos confirmando as metas de arrecadação, os ganhos e indicando que “não podia exercer outra atividade” que não a de pastor, segundo uma decisão de fevereiro de 2010 do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 1ª Região.”
A decisão do TST abriu uma brecha na sua própria jurisprudência, que sempre considerou que o trabalho de pastores era de ordem espiritual e vocacional.
Para ser considerado relação de emprego, o trabalhador deve provar alguns elementos da sua relação com o empregador: habitualidade (trabalhar para a mesma pessoa regularmente), contraprestação econômica (salário), pessoalidade (a relação do empregador é com ele e não com sua empresa ou com um grupo de pessoas como ele) e subordinação (obedece o que o empregador manda).
Um padre ou monge budista pode alegar que recebe uma ajuda mensal para suas despesas pessoais (salário), que deve comparecer pessoalmente à sua igreja, cumprindo horário de missas e orações e está subordinados a um superior (bispo, por exemplo). Mas isso seria relação de emprego?
Apesar de a igreja não visar lucro, como uma empresa, isso não é um fato impeditivo. O empregado de uma ONG, por exemplo, tem direitos trabalhistas reconhecido. O mesmo ocorre com as empregadas domésticas, embora a família não vise lucro. Então porque não reconhecer o vínculo de emprego de um padre ou pastor, com direito à hora-extra, por exemplo?
A diferença para a Justiça é que o trabalho do religioso não é um trabalho, mas um sacerdócio, ou seja de natureza espiritual e, principalmente, vocacional (por amor e sem pretensão econômica do próprio pastor).
No caso da matéria acima, como houve a prova de que havia o estabelecimento de metas de arrecadação, com a redução da ‘ajuda mensal’ (‘salário’) como punição, o entendimento foi de que a igreja passou a visar o lucro, o que foge da natureza da instituição religiosa. Em outras palavras, o Tribunal deixou de olhar como a pessoa estava registrada (forma) e passou a olhar o que ela de fato fazia (conteúdo).
Como a igreja ‘deixou de ser’ igreja, o pastor deixou de ser ‘vocacionado’ para virar um empregado.
O interessante aqui são as consequências que esse novo tipo de interpretação pode gerar em outra área: a tributária.
Os templos são imunes a impostos, segundo nossa Constituição (art. 150, VI, alínea ‘b’). Mas a lógica é a mesma: eles são imunes porque são espaços e congregações com finalidade espiritual e religiosa. Mas se eles passam a ter finalidade financeira, comercial ou qualquer outra que não seja espiritual, seguindo a lógica da decisão acima, eles não são templos, e por isso devem pagar todos os impostos. Para o governo, essa é uma ideia interessante porque poderia gerar centenas de milhões de reais – ou mesmo bilhões – em impostos como IPTU e de renda.

Igreja católica tem queda recorde de fiéis

Em números absolutos, a Igreja Católica perdeu quase 1,7 milhão de fiéis no País, saindo de 124,9 milhões para 123,2 milhões em 2010. Entre 1991 e 2000, a queda na proporção de católicos também tinha sido elevada, de 11,3%, mas o número absoluto tinha aumentado. Se o ritmo de queda da última década for mantido, em vinte anos os católicos serão menos da metade da população.
O recuo dos católicos está diretamente ligado ao aumento de 44% da proporção de evangélicos. Eram 15,4% da população brasileira em 2000 e passaram para 22,2% em 2010. Na década anterior, entre 1991 e 2000, o crescimento dos evangélicos foi muito maior, de 70%.
Apesar do aumento, os três grandes segmentos da religião tiveram comportamento completamente diferentes. Os evangélicos tradicionais, ou de missão, ficaram estagnados em proporção. Tiveram um pequeno aumento em números absolutos, passando de 6,9 milhões para 7,6 milhões, mas proporcionalmente houve ligeiro recuo. Os evangélicos tradicionais eram 4,1% da população em 2000 e em 2010 passaram a 4%. Esses evangélicos são das igrejas históricas como Adventista, Luterana, Batista e Presbiteriana.
Comportamento oposto tiveram os evangélicos desvinculados de igrejas. Segundo técnicos do IBGE, nesta categoria se enquadram tanto os que circulam entre várias denominações quanto os que se consideram evangélicos mas não frequentam igrejas. Esse grupo cresceu mais de cinco vezes em uma década: os evangélicos “independentes” eram menos de 1,7 milhão em 2000 e passaram para 9,2 milhões em 2010. Em proporção, pularam de apenas 1% para população brasileira para 4,8%.
Já os evangélicos pentecostais – da Assembleia de Deus e de igrejas como Universal do Reino de Deus, Maranata, Nova Vida, Evangelho Quadrangular, entre outras – continuaram a crescer, mas o ritmo diminuiu na última década. Em números absolutos, os evangélicos pentecostais mais que dobraram na década de 1990 (aumento de 119%). Entre 2000 e 2010, eles cresceram 44%. Pouco mais de 25 milhões de brasileiros são evangélicos pentecostais.

Universal

Este grupo sofreu mudanças significativas na última década. Fenômeno dos anos 90, a Igreja Universal do Reino de Deus perdeu quase 230 mil fiéis em dez anos, passando de 2,101 milhões para 1,873 milhão. Uma queda de mais de 10%.
No universo chamado neopentecostal (que exclui a Assembleia de Deus, mais tradicional), duas novas igrejas são a maior ameaça à Universal. Segundo técnicos do IBGE, os dados mostram que a Igreja Mundial do Poder de Deus, do apóstolo Valdemiro Santiago, já arrebanhou 315 mil fiéis.
A outra grande dissidência é a Igreja Internacional da Graça de Deus, do missionário R.R.Soares, mas ainda não há dados disponíveis sobre o número destes fiéis. Somadas ao fenômeno do crescimento dos evangélicos sem vínculo com igrejas, as novas denominações fizeram diminuir também o número de fiéis de outras igrejas, como a Nova Vida e a Congregação Cristã do Brasil.

A saga dos televangelistas

Uma coisa era certa: Deus estava usando a imprensa para expor coisas que o povo de Deus tentava esconder – coisas que estavam erradas … Lembrei-me da palavra que Deus havia me dado anteriormente de que ele tinha instigado a imprensa sobre a Igreja assim como instigara as locustas sobre Israel. Em outras palavras, não podíamos culpar os meios de comunicação pelo que estava acontecendo …
Há momentos na história em que “Deus desce.” Os carismáticos gostam de pensar sobre o Pentecoste como uma dessas épocas quando o sopro suave do Espírito Santo veio sobre a Igreja e a encheu de poder. Mas nós precisamos lembrar que o Espírito Santo não é somente pneuma, que é o conceito do Novo Testamento para um espírito manso e encorajador. Ele também é ruach, que é a palavra do Velho Testamento para bramido, um vento destruidor. Os fundamentalistas, embora neguem o poder miraculoso do pneuma, entendem o propósito do ruach …
Estremeço diante das técnicas usadas para levantar dinheiro pela maioria dos principais ministérios da América … Creio que há maneiras legítimas de se levantar dinheiro. Mas enquanto os líderes destes ministérios não estiverem dispostos a usar esses métodos em vez dos métodos do sistema deste mundo, o poderoso ruach de Deus continuará a soprar sobre toda a Igreja…
Isso é nada mais do que uma atualização pentecostal da prática da Igreja Católica de vender indulgências na Idade das Trevas. Deus aboliu isto com um abalo poderoso na Reforma Protestante. Ao mesmo tempo, um pouco semelhante ao que fez na Torre de Babel, deus confundiu as línguas (doutrinas), de modo que ainda hoje os cristãos tem problema de comunicação.
Agora esse abalo está ocorrendo novamente …
Deus não separou os cidadãos de Babel para puni-los, mas para lhes devolver sua humanidade. O problema começou quando eles disseram: “Vamos construir uma cidade.” Deus nunca abençoou o conceito de cidade. Ele chama para uma distribuição da população. Mas as pessoas continuam a se aglomerar em grandes ministérios, a se juntar a denominações, a identificar-se com um determinado pastor – tudo isso com o propósito de falarem a mesma língua …
Agora, mais uma vez, Deus desceu e está caminhando entre nós. Ele não se agrada de nossa tentativa de cumprir nossas obrigações individuais através de doações a grandes ministérios. Devíamos estar abrindo nossos lares em lugar de mandar ofertas para instituições de caridade. Devíamos estar evangelizando em vez de alugar um televangelista para fazer isso por nós. Deus está forçando-nos a voltar para nossas igrejas locais, o único lugar onde o verdadeiro ministério – o ministério pessoal – pode acontecer.
A televisão tem sido o maior meio de difusão do evangelho desde a invenção da imprensa. Mas com grande oportunidade vem grande responsabilidade. Este é um tempo de prestar contas. Deus está checando os livros. Aqueles que gostam de aparecer em público estão sendo julgados em público. Mais uma vez, parece que Deus entrou no templo para virar as mesas dos cambistas. Seu sopro está passando através de seu reino, limpando e purificando. O resultado final será como sempre: formar um povo à imagem de seu Filho e dar glória a ele mesmo.
Tudo isso está acontecendo por uma razão: revelar a soberania de Deus. Ele é, acima de tudo, “um fogo consumidor… removendo as coisas abaláveis – isto é, coisas criadas – para que permaneçam as coisas inabaláveis.” (Hebreus 12:27)

A era dos mega-templos

O padre Marcelo Rossi na primeira missa do Santuário Mãe de Deus, em outubro. A inauguração oficial da igreja está prevista para 2012 (Foto: Juca Varella/Folhapress)
Jesus Cristo disse aos apóstolos, segundo o Evangelho de Mateus: “…E sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. Inspirados nessa passagem da Bíblia, há 1.600 anos os cristãos erguem templos para louvar a Deus. No começo, eram simples e pequenos; no Renascimento, esculturas e pinturas de mestres como Michelangelo e Ticiano fizeram das igrejas palcos da grandiosidade do talento do homem; no século XX, os templos católicos perderam esses adereços litúrgicos e parte relevante de sua frequência. Agora, na primeira década do século XXI, as igrejas de todas as denominações cresceram. Ganharam capacidade de reunir, de uma única vez, dezenas de milhares de fiéis – a despeito de inovações como a televisão, o rádio e a internet, que tornaram os líderes das igrejas famosos e inventaram o exercício remoto e quase impessoal da fé. Ao custo de centenas de milhões de reais, os megatemplos se multiplicam nas grandes cidades brasileiras e atraem multidões antes vistas apenas em shows e jogos de futebol. Como exibição de fé, são verdadeiros monumentos a atestar o vigor do cristianismo brasileiro. Do ponto de vista social, testemunham o enorme desejo de participar que anima as multidões de fiéis. Se Deus está presente onde duas ou três pessoas se reúnem em nome Dele, como diz a Bíblia, os fiéis imaginam que sua presença será ainda mais intensa quando se reúnem 30 mil, 50 mil, 150 mil pessoas.
Megatemplos são construídos em todo o país e por várias religiões: a Igreja Católica inaugurará em 2012 o Santuário Mãe de Deus, para 100 mil pessoas, em São Paulo. Em Belo Horizonte, Minas Gerais, a Catedral Cristo Rei vai abrigar até 25 mil pessoas quando for consagrada, em três anos. Entre os evangélicos, várias denominações prometem inaugurar suas megaconstruções. Em Guarulhos, na Grande São Paulo, a Igreja Mundial do Reino de Deus planeja construir a Cidade de Deus, para 150 mil pessoas. No Recife, a Assembleia de Deus conclui o projeto de um templo para 30 mil pessoas. Em Belo Horizonte, a Igreja Batista de Lagoinha planeja acolher num mesmo teto 35 mil pessoas. “Os brasileiros têm necessidade de grandes basílicas e catedrais, de lugares grandes para congregar e orar”, diz o padre Marcelo Rossi, criador do Santuário Mãe de Deus.
O fenômeno é mundial e multirreligioso. Estados Unidos, Coreia do Sul e Guatemala têm grandes templos. Na Nigéria, a Winners Chapel (Capela dos Vencedores) acolhe 250 mil fiéis. No islamismo, a ideia de que a multidão amplifica a experiência religiosa é antiga. “Maomé diz que a oração em conjunto é 27 vezes maior do que a oração individual”, afirma o xeque Jihad Hassan, presidente do Conselho de Ética da União Nacional Islâmica, em São Paulo. Por isso, as principais mesquitas do mundo árabe, em Meca e Medina, estão frequentemente em obras de ampliação. A Mesquita do Profeta, em Medina, na Arábia Saudita, foi aberta no ano 622 com capacidade para centenas de fiéis – adequada à população da cidade, que girava em torno de 2 mil pessoas. Hoje, Medina tem uma população de quase 2 milhões de pessoas, e a mesquita pode abrigar 1 milhão de fiéis.
No mundo cristão, o fenômeno dos templos multitudinários teve início na década de 1970, como reflexo da popularização das igrejas evangélicas. No Brasil, começou nos anos 1980, quando as igrejas evangélicas passaram a comprar grandes salas de cinema abandonadas, com capacidade para até 2 mil pessoas. Dez anos depois, surgiram edifícios religiosos como a Catedral Mundial da Fé, sede da Igreja Universal do Reino de Deus, no Rio de Janeiro, que abriga 15 mil fiéis. A Igreja Católica, representada por seu ramo carismático, reagiu – dentro de suas tradições arquitetônicas. “Um espaço que leve à reflexão não pode ser confundido com um auditório ou ginásio. Um local profano pode acomodar as pessoas, mas não ajuda na experiência religiosa”, diz o arquiteto Ruy Ohtake, autor do projeto do Santuário Mãe de Deus. A construção do templo é financiada pelo padre Marcelo Rossi com o dinheiro de doações e da venda do CD e do livro Ágape (publicado pela Editora Globo), que, juntos, já venderam 9 milhões de exemplares.

O PIB e as missões

Brasil mais rico, com maior população evangélica. Celeiro missionário?
Nos últimos séculos a história se repetiu. A grande Inglaterra do século XIX enviou milhares de missionários pelo mundo. Os Estados Unidos, já no século XX, tomou dos ingleses o título de nação mais poderosa e, também, a posição como celeiro missionário. Ainda hoje a igreja evangélica norte-americana é agente influenciadora em tendências benignas e de modismos para o cristianismo mundial.
É inegável a ligação de grandeza econômica e expansão missionária. E aí nasce a nossa responsabilidade, como brasileiros, sobre o papel que vamos desempenhar no mundo como igreja evangelística e exportadora de tendências teológicas. O Brasil cresce em importância econômica perante o mundo e na mesma proporção cresce a responsabilidade de Igreja Brasileira no seu papel missionário.

As tendências econômicas do Brasil

O Brasil é um país de renda média, ou seja, a nossa renda per capita (a riqueza de toda a nação dividida igualmente para cada habitante) não passa dos 13 mil dólares. É muito pouco quando você compara com nações ricas como Estados Unidos (46 mil dólares), Alemanha (40 mil dólares), Espanha (30 mil dólares) ou emergentes como a Coreia do Sul (20 mil dólares).
Comparando renda per capita brasileira com os principais emergentes, assim o país fica numa posição melhor: Brasil (13 mil dólares), Rússia (11 mil dólares), China (5 mil dólares) e Índia (1,5 mil dólares). Entre os emergentes o quadro brasileiro é positivo, mas entre os ricos ainda é muito negativo. A renda per capita é o melhor indicador para avaliar o bem-estar de uma população. Se o Brasil crescer 3,5% em média nos próximos anos a renda per capita dobrará em duas décadas, ou seja, somente na década de 2030 a renda  será equivalente a da Espanha de hoje.
Portanto, um grande PIB (Produto Interno Bruto) não é necessariamente garantia de bem estar. A China é a segunda nação mais rica do mundo, porém a sua população é tão grande que um morador do Suriname ou Peru vive em melhores condições. Agora, o grande PIB já garante grandeza geopolítica e influência econômica em todo o mundo. Se o Suriname sofre uma crise bancária nada acontecerá no mundo, mas se uma bolha de crédito estoura na China o mundo praticamente desaba.
No quesito PIB o Brasil tem projeções positivas. Veja abaixo o quadro que reflete projeções do FMI (Fundo Monetário Internacional) e da Economist Intelligence Unit, empresa de análise do grupo que produz a maior revista de economia do mundo, a inglesa The Economist.
PIB em:
2020
2030
1
Estados Unidos
Estados Unidos
2
China
China
3
Japão
Índia
4
Índia
Brasil
5
Brasil
Japão
6
Alemanha
Alemanha
Segundo projeções o Brasil será a quarta maior economia do mundo na década de 2030, mas como afirmei no início, com uma renda per capita equivalente da Espanha de 2011. Os dados não permitem os ufanismos tradicionais dos governantes, mas mostra que o país ganhará cada vez mais importância geopolítica e econômica. O Brasil será chamado à mesa em organismos internacionais e, talvez, possa ganhar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).

E o papel missionário do Brasil?

Com uma igreja crescente e uma economia mais forte aumenta a responsabilidade do Brasil como agente missionário. Os Estados Unidos continuam (e continuarão por muito tempo) como o país que mais envia missionários pelo mundo. Na Ásia há dois países que enviam muitos missionários, sendo a Coreia do Sul e a Índia. É interessante observar que os missionários indianos normalmente trabalham entre povos não alcançados dentro do próprio país.
O Brasil já é um país que envia muitos missionários, mas pelo tamanho da Igreja Evangélica Brasileira poderia enviar muito mais. Há projeções otimistas que desenham que metade da população brasileira será evangélica já na década de 2020. Um igreja grande em quantidade (em qualidade é outra história) e que se vê em um novo papel diante do mundo.
Com a crescente importância econômica do país algumas janelas para divulgação do Evangelho já se abriram, como a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016. Algumas igrejas já estão desenvolvendo estratégias evangelísticas para esses eventos.
O Brasil também começa a atrair um número crescente de estrangeiros, sejam aqueles vindos da Europa e Estados Unidos para trabalharem em multinacionais ou aqueles vindos de países mais pobres (Bolívia, Peru, Paraguai, Haiti etc.) para trabalharem na construção civil e no comércio ambulante. Os estrangeiros que escolhem o Brasil para morar formam um importante grupo para ser evangelizado. Já há igrejas em São Paulo visando à evangelização de bolivianos, onde a própria liderança é advinda do país sul-americano.
O Brasil cresce sem tendências imperialistas, como a China tem feito na África, por exemplo. Isso beneficia o Brasil, já que a imagem entre diversos povos é positiva. Além disso, o Brasil não participa de guerra há muitos anos e não possui conflitos étnicos ou religiosos. O “homem cordial” brasileiro faz com que a imagem dos missionários não seja confundida com “agentes estrangeiros opressores”. Os americanos, por exemplo, muitas vezes tiveram dificuldades de evangelizar na América Latina (principalmente os países de língua espanhola) pela forte tendência antiamericana desses países. É claro que a crescente influência econômica do Brasil pode despertar sentimentos “antibrasileiros”, especialmente em países latino-americanos, mas nada tão sério como aconteceu (e acontece) com os norte-americanos.
A revista The Economist destacou em uma matéria no final de 2009 que o Brasil e os Estados Unidos apresentavam algumas semelhanças (leia a matéria aqui), entre elas de serem duas grandes economias com fortes tendências evangélicas. Será bom para o Brasil quando este imitar o ímpeto missionário da igreja norte-americana.
Que o futuro (que sempre a Deus pertence) seja já trabalhado no presente pela Igreja Evangélica Brasileira.
Extraído do blog Teologia Pentecostal. Título original: “O crescimento econômico traz uma responsabilidade evangelística”.

Igreja Presbiteriana dos EUA ordena primeiro ministro gay

Um homem que deixou a Igreja Presbiteriana da Califórnia há mais de 20 anos após ter revelado à congregação que era gay foi recebido de volta como líder da igreja, tornando-se o primeiro homossexual a ser ordenado ministro.

O reverendo Scott Anderson, é abraçado por colegas durante cerimônia de ordenação em Madison, nos EUA
Emocionado, o americano Scott Anderson, de 56 anos, disse que nunca esperou que este dia chegasse. Ele foi ordenado numa cerimônia no sábado (8) diante de centenas de amigos e apoiadores na Igreja Presbiteriana de Madison, no estado do Wisconsin.
“Aos milhares de presbiterianos que trabalharam e rezaram por quase 20 anos por esse dia, o meu muito obrigado”, disse o novo ministro. “E também agradeço àqueles que discordam do que estamos fazendo aqui hoje mas que sabem que somos um em Jesus Cristo.”
Anderson serviu como ministro em Sacramento, na Califórnia, de 1983 a 1990, quando teve de se afastar da igreja. Um casal ameaçou revelar sua orientação sexual, mas ele revelou antes à congregação e renunciou porque a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos não permitia que homossexuais servissem como ministros.
A situação mudou no ano passado, quando uma assembleia nacional da igreja votou pela revogação da regra, permitindo da ordenação de Anderson.

O fenômeno dos pregadores mirins

Pais dizem que filhos são “pequenos milagres” e trabalho não atrapalha. Para psicólogos, exposição precoce pode ser prejudicial.

Matheus, 13 anos, prega para centenas de fiéis: "tenho uma vida normal, como de qualquer criança"
De terno, gravata e olhar sério. É assim que Matheus Moraes, 13 anos, divide as atividades escolares, brincadeiras, aulas de música e partidas de futebol com algo que considera muito mais importante. Ele é um dos precoces pastores mirins que estão tomando os púlpitos de igrejas evangélicas, crianças que se destacam pela desenvoltura da fala, surpreendem com a capacidade de raciocínio rápido e boa memória, e se tornam quase que imediatamente responsáveis pela conversão de centenas de fiéis.
Ana Carolina pregando na época em que virou celebridade na internet
Como Matheus, a estudante Ana Carolina Dias, hoje com 17 anos, foi uma das primeiras crianças a se tornar pregadora no Brasil. Iniciou sua carreira aos quatro. Aos sete, um vídeo em que aparece pregando foi publicado no Youtube, virou funk e bateu recorde de audiência. A postagem original foi vista quase 2 milhões de vezes. A “Menina Pastora”, como ficou conhecida, permanece na igreja até hoje. Além de pregar quase diariamente para centenas de fiéis, participa de congressos e eventos em todo o País. Paralelamente, estuda Física na Universidade Rural do Rio de Janeiro.
Os dois, filhos de pais evangélicos, são considerados pedras preciosas para as igrejas. Colocados à frente das pregações, sensibilizam centenas de fiéis e mantêm uma agenda lotada. Matheus, por exemplo, já gravou 30 DVDs com louvores e cantos, à venda em seu site. Acumula as funções de pastor, cantor e estudante. Viagens são rotina em sua vida.
Da mesma forma, Ana Carolina conheceu a Europa para pregar e atualmente coordena a vida particular com inúmeras funções na igreja. Mas o que desperta orgulho na família e faz sucesso nos púlpitos das igrejas também causa apreensões, especialmente de psicólogos. Afinal, a responsabilidade de mobilizar multidões frequentemente pode pesar, embora na maioria das vezes o talento destas crianças seja encarado meramente como uma vocação, e não obrigação.

Filho de peixe

Francinete Moraes fez cirurgia para não engravidar após dar à luz seu terceiro filho. Mesmo assim, depois de 13 anos, teve Matheus. Ainda bebê, o menino ficou em coma em função de problemas respiratórios e, durante o período, a família se debruçou em súplicas e orações. Para eles, sua sobrevivência foi um milagre e seu pai, Juanez Moraes, frequentador da Assembleia de Deus, virou pastor. Três anos depois, era Matheus que, ainda sem saber falar todas as palavras, pregou na igreja pela primeira vez. “Lembro perfeitamente: foi na cidade de Estrela Dalva, no interior de Minas Gerais, eu nem sabia falar direito”, conta o menino. Aos seis anos, já era reconhecido como um pequeno missionário.
A história de Carolina é semelhante. Quando tinha apenas três anos, teve uma inflamação que afetou seu intestino e garganta. Ficou internada durante dez dias e, segundo o pai, o pastor Ezequiel Dias, foi desenganada pelos médicos. “Ela faleceu em meus braços, até que orei a Deus e a Carolina voltou à vida. E voltou servindo a esse Deus”, diz ele, que fala pela filha e cuida de todos os seus interesses. “Mesmo falando errado, pois era criança, pregava a Palavra”. Desde então, Carolina nunca mais deixou de pregar. Ezequiel garante não ter havido pressão familiar e afirma que a menina jamais teve problemas para conciliar suas funções na igreja com os estudos.
Matheus também afirma que nunca foi pressionado para seguir a vida religiosa. “Nunca deixei e nem deixo de fazer nada por conta do Evangelho. Eu tenho uma vida normal, como toda criança: jogo bola, vou à escola [ele está no sexto ano do Ensino Fundamental, na escola particular Santa Mônica, no Rio de Janeiro], convivo com amigos”, ressalta o garoto. “Faço tudo o que as demais crianças fazem, mas com responsabilidade, pois tenho um compromisso com Deus”.
O fato de pregar hoje para multidões não parece incomodá-lo: “Eu sabia qual era a minha missão. Deus tinha uma promessa para mim. Tive certeza da minha vocação aos cinco anos, quando estava louvando em uma igreja do Méier e Deus falava comigo sobre a cura”. Matheus admite suas atividades religiosas são motivo de preconceito: “Hoje, 70% dos meninos querem ser jogadores de futebol e sinto que sou discriminado por pregar a Palavra, pelo fato de correr atrás da Bíblia. Eles não gostam, encarnam em mim. Não sou um garoto admirado”.

Vocação versus obrigação

Ana Carolina e Matheus entendem que foram escolhidos. Para eles, a função exercida é, sobretudo, uma vocação. Mas nem todos concordam. Pastora há cinco anos de uma das igrejas da Assembleia de Deus, a teóloga Maria Vita Umbelino diz ver “quase diariamente” crianças sendo levadas pelos pais até a igreja para se transformarem em pequenos pastores. “No meu Ministério eu não tenho criança pregando, sou contra”, diz ela. “Esse período é de aproveitar as brincadeiras típicas da idade e esperar pelo amadurecimento”. Segundo Maria Vita, a escola bíblica oferecida pela igreja já é “mais do que suficiente para o primeiro contato dos jovens”.
A pastora acredita que a iniciação precoce na pregação resulta no desinteresse futuro de seguir o caminho da fé. A psicóloga especializada em terapia familiar Aldvan Figueiredo concorda, explicando que o contato das crianças com a espiritualidade é comum e geralmente despertado entre os cinco e sete anos de idade. “Os pais não precisam se preocupar, desde que o interesse ocorra naturalmente”, explica. “Após esse período, as crianças tendem a se desligar desses assuntos”. O perigo, segundo ela, está em obrigá-la a ingressar em rotinas religiosas cedo demais. “A atitude pode causar danos emocionais e afastar de vez essas crianças da religião, tornando-se um trauma na vida adulta”.
Rita Kather é professora de psicologia da PUC-Campinas e tem uma opinião mais radical. Ela acredita que o reforço precoce de uma escolha, seja ela religiosa ou artística, dificulta o desenvolvimento e o interesse da criança por outras áreas. “Uma vez que esse criança começa a desempenhar bem o papel, raramente sua vida tomará outro rumo”, diz. “As crianças não devem ser incentivadas a tomar decisões logo nos primeiros anos de vida”.
Rita ainda considera perigosa a exposição das crianças. “Nesta idade, nem as habilidades ainda foram totalmente desenvolvidas”, pondera. “A religiosidade é importante, mas esse contato da criança com o mundo religioso precisa ser suave. É nobre cultivar a religião para um mundo de paz, mas isso deve ser natural”. Para a professora, raramente a criança irá expressar nitidamente sua insatisfação em cumprir um papel que agrada aos pais.
Ezequiel insiste que a vida da filha sempre foi saudável. “Ela teve uma infância tranquila, brincou, viajou o mundo. Conheceu lugares como a Europa, esquiou, fez coisas que eu não teria condições financeiras de bancar. E tudo isso por meio da pregação da Palavra”, compara. Hoje, Ana Carolina é líder da Mocidade, o grupo dedicado a jovens dentro de sua igreja, e auxilia o pai nos cultos. “É uma sensação indescritível ser pai de uma missionária. Creio que milagres não se explicam, não se justificam, e a minha filha é um milagre de Deus”, diz ele.

Leonardo Boff: “Celibato é invenção eclesiástica e Igrejas midiáticas estão em pecado”

Leonardo Boff
Em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar no programa “É Notícia”, exibido pela Rede TV! na madrugada desta segunda-feira, o teólogo Leonardo Boff falou sobre celibato, existência de Deus e criticou as igrejas midiáticas, católicas ou evangélicas.
“Eles continuamente pecam contra o segundo mandamento, que é usar o santo nome de Deus em vão e apresentam um cristianismo que é um pequeno Lexotan para acalmar as pessoas”, diz o estudioso.
Boff foi sacerdote da Igreja Católica e ajudou a consolidar a Teologia da Libertação no país — que em suma define a pobreza como um pecado e promove um engajamento social na construção de uma sociedade mais justa e solidária. Seus questionamentos a respeito da hierarquia católica, expressos no livro “Igreja, Carisma e Poder” foi alvo de um processo na Congregação para a Doutrina da Fé, sob a direção de Joseph Ratzinger, hoje o Papa Bento XVI e que culminou em sua saída da Igreja.

Google digitaliza manuscritos do Mar Morto

forme informação divulgada há quase um ano atrás,  Google conclui o projeto de digitalização dos manuscristos do Mar Morto. Iniciativa colocará online os registros mais antigos já encontrados sobre a região.


O Museu de Israel apresentou nesta segunda-feira junto com o Google o projeto de digitalização dos manuscritos do Mar Morto, uma iniciativa que universalizará o conteúdo do testemunho escrito mais antigo dos costumes e práticas da região há 2 mil anos.O museu divulgou na internet cinco dos seus oito manuscritos escritos em hebraico e aramaico, num “casamento perfeito” entre tecnologia e história, disse o diretor da instituição, James Snyder.
Fotografados página por página com uma câmera de alta resolução, os manuscritos foram digitalizados e reconstruídos até que as imagens ganhassem o aspecto original.
“A internet rompeu a barreira que havia entre a informação e as pessoas”, explicou Yossi Matias, chefe do P&D do Google Israel, que destacou a importância de “universalizar” este tipo de conteúdo.
Por enquanto, o Google só traduziu o manuscrito principal, atribuído a Isaias, para o inglês, mas está prevista também a tradução para o espanhol e outros idiomas, disse à Agência Efe o curador dos Manuscritos do Mar Morto, Adolfo Roitman.
Descobertos ocasionalmente por um pastor em 1947 em cavernas localizadas em Qumran, importante sítio arqueológico próximo ao Mar Morto, os textos em pergaminho contêm fragmentos de todos os livros do Velho Testamento, exceto o de Ester, assim como vários apócrifos e escrituras de seitas.
O museu possui oito dos manuscritos, que estão divididos em 30 mil fragmentos, mas ainda existem outros em poder da Autoridade de Antiguidades de Israel e colecionadores particulares.

Aos domingos, igrejas chinesas teriam hoje mais fiéis do que as europeias somadas

Igrejas na China estão transbordando à medida que se multiplica o número de cristãos no país. Igrejas domésticas são as que mais crescem.


No passado, a repressão política levou muitos a se converterem em segredo. Seriam as conversões atuais uma reação ao capitalismo selvagem?
É impossível dizer ao certo quantos cristãos existem hoje na China mas ninguém nega que o número cresce rapidamente.
O governo diz que são 25 milhões – 19 milhões de protestantes e seis milhões de católicos.
Fontes não oficiais dizem, no entanto, que os números oficiais são modestos demais. Entre as estimativas independentes, as mais conservadoras apontam para uma número em torno de 60 milhões.
Muitos acreditam que aos domingos haja, nas igrejas da China, mais fiéis do que em todas as igrejas europeias somadas.
Os novos cristãos podem ser encontrados em vilarejos no interior e também nas grandes cidades, onde vivem os jovens de classe média.

Em segredo

A estrutura do cristianismo chinês é complexa. Durante todo o século 20 na China, ele foi associado ao “imperialismo ocidental”.
Após a vitória dos comunistas, em 1948, missionários cristãos foram expulsos do país, mas o cristianismo continuou sendo permitido em igrejas aprovadas pelo Estado – desde que essas igrejas se mantivessem fiéis, primeiramente, ao Partido Comunista.Para o líder Mao Tsé Tung, no entanto, religiões eram um “veneno”. Sob seu comando, a Revolução Cultural das décadas de 1960 e 1970 tentou erradicá-las.
Forçados a praticar sua religião em segredo, os cristãos chineses não apenas sobreviveram. Agora, com seus próprios mártires, os fiéis se multiplicaram em número e fervor.
Desde a década de 1980, quando crenças religiosas voltaram a ser permitidas, as igrejas oficiais vêm cavando cada vez mais espaço próprio.
Elas são subordinadas à Administração do Estado para Assuntos Religiosos. Estão proibidas de tomar parte em qualquer atividade religiosa fora dos locais designados ao culto e têm de aderir ao slogan “Ame o país – ame sua religião”.
Em troca, o Partido promove o ateísmo nas escolas mas se compromete a “proteger e respeitar a religião até o momento em que a religião por si só desapareça”.

Tanto protestantes quanto católicos estão divididos, na China, entre igrejas oficiais e não oficiais.

A Associação Patriótica Católica, aprovada oficialmente, nomeia seus próprios bispos e não tem permissão de manter qualquer contato com o Vaticano, embora os católicos estejam autorizados a reconhecer a autoridade espiritual do papa.
Mas existe no país uma Igreja Católica extraoficial, maior, que conta com o apoio do Vaticano.
Pouco a pouco, Vaticano e governo tentam chegar a um acordo. Bispos ordenados são hoje reconhecidos por ambas as partes, nenhuma admitindo uma soberania maior da outra.
Nos últimos meses, no entanto, as autoridades voltaram a adotar uma linha mais dura, fazendo ordenações de bispos contra a vontade do Vaticano. Revidando, o Vaticano excomungou um desses bispos recém-ordenados.
Ainda assim, seria um engano descartar a igreja católica oficial.
Nas montanhas a oeste de Pequim, na cidadezinha de Ho Sanju, uma igreja católica erguida no século 14 recebe fiéis até hoje.
A fé robusta dos que frequentam a igreja, muitos deles já idosos, resistiu à invasão japonesa e à Revolução Cultural.
O hospital do vilarejo é administrado por freiras, uma delas vinda da Mongólia – onde há uma grande concentração de católicos.
É em cidadezinhas como essa que a Igreja Católica recruta jovens que receberão treinamento para a vida religiosa.
A Igreja Protestante oficial, por sua vez, cresce ainda mais rápido do que a católica.
Em uma manhã de domingo de Páscoa, no centro de Pequim, uma igreja celebrou quatro missas. Todas estavam lotadas, com mais de 1.500 fiéis.

Igrejas domésticas

Quantidades como essa, no entanto, significam pouco em comparação ao número de fiéis que frequentam as chamadas “igrejas domésticas”.
Clandestinas, essas igrejas vêm se espalhando pelo país e incomodando a igreja oficial – que teme que o fervor inspirado por essas igrejas provoque uma reação do governo chinês.
O que as autoridades consideram inaceitável é a recusa, pelas igrejas domésticas, em aceitar qualquer forma de autoridade oficial sobre elas.
O Estado teme a influência do evangelismo americano e, de fato, a liturgia de algumas das igrejas domésticas tem natureza semelhante.
Mas, em muitos outros aspectos, o movimento das igrejas domésticas parece ser, em grande parte, um fenômeno tipicamente chinês, carismático, energético e jovem.
Falando à BBC, uma jovem cristã com bom nível educacional descreveu sua igreja dessa forma: “Temos 50 jovens profissionais nesta igreja. Todos trabalham muito, não têm tempo para atividades sociais”.
“Mas na igreja as pessoas sentem um calor, se sentem bem-vindas. Elas sentem que as pessoas as amam de verdade, então querem fazer parte da comunidade, muitos vêm por isso”.

Curso de Casamento

Aos poucos, o Estado vem procurando incorporar o cristianismo em sua “grande ideia” de uma “sociedade harmoniosa” – o slogan que domina a vida pública chinesa.
Mas se há uma questão que com certeza preocupa as autoridades é a razão pela qual tantos vêm se voltando para a religião.
Hoje, fala-se muito a respeito de uma “crise espiritual” na China. A frase foi usada até pelo premiê Wen Jiao Bao.
Os mais velhos puderam acompanhar de perto como uma sociedade regida por dogmas marxistas e leninistas se transformou em um modelo dos mais viscerais do capitalismo selvagem.
Para os jovens que lutam para enriquecer, a confiança nas instituições e a confiança entre indivíduos e entre diferentes gerações está sendo erodida.
Um dos mais importantes filósofos da religião no país, o professor He Guanghu, da Universidade Renmin, em Pequim, disse que para essas pessoas, o culto aos bens materiais tornou-se o único propósito de suas vidas.
“Acho muito natural que muitas outras pessoas não se satisfaçam (…) e saiam em busca de algum significado para suas vidas”, disse He Guanghu.
“Por isso, quando o cristianismo entra em suas vidas, elas o agarram com força”.

Justiça determina: pastor é voluntário, não empregado

O trabalho desenvolvido por religiosos não constitui vínculo de emprego, tendo em vista a própria natureza voluntária da atividade sacerdotal.
Nos termos da legislação trabalhista, atividades desenvolvidas por padres, pastores e afins não constituem vínculo de emprego com as respectivas instituições religiosas, tendo em vista a própria natureza comunitária e acentuadamente voluntária da atividade sacerdotal.
Um pastor evangélico não conseguiu ter o vínculo empregatício reconhecido. A 8ª Turma do TRT2 entendeu que a pessoa que exerce a atividade de pastor não desenvolve vínculo de emprego com a igreja.
Em seu pedido inicial, o evangélico afirmou que foi admitido na função de pastor em 1997, sendo injustamente dispensado 10 anos depois, quando recebia a quantia mensal de R$2.368,08. Informou que realizava diversas atividades religiosas, bem como celebração de cultos diários, ceias, batismos, cerimônias, programas de rádio, obras sociais em prol da igreja e arrecadação de contribuições, além de outras relacionadas à administração e conservação do templo.
A Igreja foi condenada em 1ª instância, mas recorreu da decisão, alegando que a relação com o pastor decorria de fé e vocação espiritual. Sustentou que, em 1997, o autor sentiu o chamado de Deus, abraçando por definitivo a vontade de se tornar uma pessoa dedicada à vida religiosa, de forma livre e espontânea.
Segundo o relator do recurso interposto pela igreja, desembargador Alberto Fortes Gil, aquele que exerce atividade de pastor – difundindo os ensinamentos religiosos, pregando e auxiliando os fiéis, por vocação e pela fé – não é considerado empregado nos termos da legislação trabalhista, por ausência dos elementos que caracterizam a relação de emprego.
Um desses elementos é a subordinação jurídica, não observada no caso concreto, pois o pastor estava submetido a um eclesiástico superior em obediência à hierarquia e às regras internas da instituição religiosa.
Também estava ausente o requisito da onerosidade, visto que a ajuda de custo recebida pelo religioso não se confunde com um salário. Para o magistrado, é perfeitamente natural o recebimento de uma ajuda financeira por quem se dedica integralmente à atividade religiosa, exatamente para viabilizar a sua subsistência e a de sua família. Não havia, ainda, a pessoalidade na prestação dos serviços, pois, caso o pastor precisasse se ausentar nos cultos, outro pastor ou colaborador era chamado para realizá-los, sem que houvesse qualquer advertência ou desconto na ajuda de custo concedida aos religiosos.
“A jurisprudência também tem entendido que as atividades desenvolvidas por padres, pastores e afins não constituem vínculo de emprego com as respectivas instituições religiosas, tendo em vista a própria natureza comunitária e acentuadamente voluntária da atividade sacerdotal”, finalizou o relator. Por esses motivos, a 8ª Turma do TRT2 indeferiu o pedido de vínculo empregatício do pastor e, consequentemente, das verbas trabalhistas, como horas extras, férias, 13º salário, FGTS, aviso prévio e seguro desemprego, entre outras.

Ministério Público quer cassação da isenção fiscal da IURD

Ação pode representar um precedente legal preocupante a muitos ministérios no Brasil.

O Ministério Público Federal estuda requerer a cassação da imunidade tributária da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), cujo fundador, bispo Edir Macedo, foi denunciado criminalmente por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e estelionato. Em ofício à área cível do MPF em São Paulo, o procurador da República Silvio Luís Martins de Oliveira solicitou análise da medida que poderá levar a Universal a perder a exoneração fiscal.
O argumento principal é a “agressiva política arrecadatória” da Universal, que teria se tornado entidade religiosa com fins lucrativos – e o suposto enriquecimento ilícito de seus dirigentes por meio do desvio de recursos doados pelos fiéis. O procurador anexou cópia da acusação criminal que fez contra Macedo – a quem atribui o papel de “organizador das atividades criminosas” e “mentor da política criminosa da Universal”.
No período de quatro anos (de 2003 a 2006), as doações declaradas pela Iurd à Receita atingiram R$ 5 bilhões. “No entanto, pelo que consta nos autos, embora goze de imunidade tributária, nem toda receita da Iurd é devidamente declarada ao Fisco”, assinala a procuradoria. “A Iurd parece aplicar junto à Fazenda Pública uma política que, nos moldes da que prega aos seus fiéis, também pode ser caracterizada como “dizimista”: declara à Receita apenas parte do que efetivamente arrecada.”
O procurador denunciou Macedo por quadrilha e falsidade ideológica, além de evasão e lavagem na forma de organização criminosa, de acordo com a Convenção de Palermo, ratificada pelo Brasil em 2004. São acusados outros integrantes da cúpula da igreja – a diretora financeira Alba Maria Silva da Costa, o ex-deputado federal João Batista Ramos da Silva e o bispo Paulo Roberto Gomes da Conceição. A denúncia foi distribuída para a 2.ª Vara Criminal Federal.
O estelionato, segundo o MPF, ficou caracterizado quando Macedo e seus aliados “obtiveram de pessoas desesperadas, psicologicamente debilitadas ou movidas pela fé e/ou ambição, vantagens econômicas indevidas consistentes nas contribuições de centenas de milhares de fiéis, mediante artifício caracterizado pelo oferecimento de falsas promessas e ameaças de que o socorro espiritual e econômico somente alcançaria aqueles que se sacrificassem economicamente pela Igreja”.
O procurador sustenta que o grupo violou o artigo 22 da Lei 7492/86 (Colarinho Branco) “ao manter depósitos em diversas contas correntes em instituições financeiras no exterior sem declará-los às autoridades brasileiras”. O MPF aponta a Diskline Câmbio e Turismo Ltda. como executora das remessas. Segundo a procuradoria, três sócios da Diskline – Luiz Augusto Cunha Ribeiro, Cristiana Marini Rodrigues da Cunha Brito e Marcelo Birmarcker – “descreveram em detalhes as operações realizadas pela Iurd”.
Segundo o MPF, entre 1991 e 1992, a IURD criou duas offshores no exterior, a Investholding, nas Ilhas Cayman, e a Cableinvest, em Jersey, notórios paraísos fiscais. Os denunciados teriam dissimulado a origem e a propriedade de valores “provenientes do delito de estelionato praticado por organização criminosa, por meio da remessa de valores ao exterior”. A denúncia diz que “seguindo orientações da direção da Iurd, liderada por Macedo e João Batista, seu presidente no Brasil, os pregadores valem-se da fé, do desespero ou da ambição dos fiéis para lhes venderem a ideia de que Deus e Jesus Cristo apenas olham pelos que contribuem financeiramente com a Igreja e que a contrapartida de prosperidade espiritual ou econômica que buscam depende exclusivamente da quantidade de bens que entregam à Iurd”.

O declínio da igreja da bispa Sônia

Por João Loes e Rodrigo Cardoso, ISTOÉ:

A líder evangélica enfrenta a decadência de sua Renascer em Cristo, que já fechou 70% dos templos, a doença do filho e sucessor natural, em coma há dois anos, e os processos na Justiça por formação de quadrilha e estelionato.
Aos 52 anos, a religiosa que brilhava entre as estrelas evangélicas do País vê o poderio de sua igreja definhar
“É difícil pensar em alguém menos apropriado que a bispa Sônia para escrever um livro intitulado ‘Vivendo de Bem com a Vida’.” A frase é de um ex-bispo que foi do alto escalão da Igreja Renascer em Cristo por mais de uma década e sintetiza o momento da instituição neopentecostal brasileira liderada pelo casal Sônia, 52 anos, e Estevam Hernandes, 57. No ano em que comemora um quarto de século, a denominação, tida como a grande promessa evangélica dos anos 1990, dá sinais claros de que está em franca decadência. Com cisões internas, uma complicada crise sucessória, um crescente número de lideranças migrando para outras denominações, templos fechados por falta de pagamento de aluguel e um sem-número de indenizações a serem pagas num futuro próximo, as perspectivas não são nada boas. “O futuro da igreja está nas mãos de Deus”, disse a bispa em entrevista exclusiva à ISTOÉ (leia aqui).
O livro “Vivendo de Bem com a Vida” (Ed. Thomas Nelson), que narra parte da trajetória desta que ainda é uma das figuras femininas de maior peso do movimento neopentecostal brasileiro, será lançado oficialmente no sábado 10, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Com tom professoral e confessional, o título já vendeu as 17 mil cópias da primeira impressão e está a caminho de esgotar as dez mil da segunda, uma raridade para o mercado editorial brasileiro. Parte desse quinhão será oferecida para os fiéis nos templos da Renascer a preços bem acima da média. “Quero cinco pagando R$ 300 por cada um destes livros até o final do culto”, anunciarão os bispos, como já fazem com os CDs, DVDs e livros nos templos da instituição. Tudo para aumentar a arrecadação do grupo. “A sede deles por dinheiro é absolutamente insaciável e está destruindo a igreja”, afirma o ex-bispo.
Sede essa que não é mais condizente com a estrutura encolhida que a igreja tem hoje. Em 2002, a Renascer em Cristo contava com 1.100 templos espalhados pelo Brasil e o mundo. Atualmente são pouco mais de 300. O líder que poderia imprimir agilidade à administração, o bispo Tid, primogênito de Estevam e Sônia que sempre teve saúde frágil, está em coma profundo há quase dois anos num leito de hospital. Da equipe de aproximadamente 100 bispos de primeiro time que a denominação tinha espalhada pelo Brasil até 2008, metade saiu para outras igrejas levando consigo pastores, diáconos e presbíteros. Para o lugar deles, ascenderam profissionais com menos experiência, o que, especula-se, pode ser um dos motivos da debandada de fiéis.
Quem acompanha a bispa hoje, porém, pode até acreditar que ela viva de bem com a vida, como diz o título de seu livro. Com um salário que gira em torno dos R$ 100 mil, ela continua com programas televisivos e de rádio diários, se veste com as mais exclusivas grifes e está sempre adornada com joias e relógios caros. Do apartamento triplex onde mora, em um bairro nobre na zona centro-sul da capital paulistana, ela sai pela cidade para cumprir suas obrigações de carro importado, blindado e escoltada por dois seguranças. Isso quando não usa um helicóptero avaliado em R$ 2,5 milhões para visitar seus sítios e haras no interior paulista. Mas que o observador não se engane. A riqueza que ela ostenta hoje não tem a retaguarda do começo dos anos 2000, quando a Renascer nadava de braçada no mar do crescente movimento evangélico brasileiro. “Hoje os Hernandes sangram a igreja para dar sobrevida ao padrão de vida nababesco que têm”, acusa um dissidente. Se nos anos 1990 a opulência do casal servia de chamariz para os adeptos da teologia da prosperidade, que celebra a riqueza material como uma dádiva proporcional ao fervor com que o devoto professa sua fé, hoje ela é uma ameaça à sobrevivência da instituição.
Mas como uma neopentecostal de envergadura internacional, que trouxe eventos gigantescos ao País, como a Marcha para Jesus, capaz de arregimentar 3,5 milhões de pessoas na capital paulista num único dia, e criou marcas de imenso sucesso como o Renascer Praise – o maior show de música gospel do Brasil, com mais de 15 edições –, entrou numa espiral descendente e, aparentemente, irreversível, de prestígio e credibilidade? Por que uma líder tão carismática como Sônia Hernandes perdeu apelo tão rápido? Dois eventos, próximos um do outro, desencadearam a derrocada da instituição. O primeiro começou na madrugada do dia 14 de janeiro de 2007, uma terça-feira. A caminho de Miami, nos Estados Unidos, Sônia, Estevam, dois filhos e três netos embarcaram na primeira classe de um voo levando US$ 56.467 em dinheiro. Ao pousar, tentaram passar pela alfândega americana sem declarar o valor. Foram pegos, presos, admitiram a culpa e cumpriram pena de reclusão em regime fechado e semi-aberto. Na época veio a público a informação de que parte da quantia foi encontrada dentro de uma “Bíblia”.
O impacto na igreja por aqui foi de nítido enfraquecimento. Segundo o professor Paulo Romeiro, da pós-graduação em ciências da religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, casos como esse podem até reforçar os laços de quem tem vínculos exclusivamente emocionais com a instituição. Mas para o fiel pragmático – cada vez mais presente no rol de devotos, como bem mostra a alta no trânsito religioso entre denominações – a força de um caso desse pode ser devastadora. Somada às acusações de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e estelionato feitas pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), que vieram a público em 2007, a prisão nos Estados Unidos potencializou as incertezas dos fiéis. “Eles perderam a confiança do rebanho”, garante outro dissidente. Em 2008, o reflexo da debandada chegou aos cofres da instituição. Naquele ano, como arrecadou menos, a dívida com aluguéis de imóveis bateu os R$ 7 milhões.
Juris Megnis perdeu mãe e avó no desabamento do templo da Renascer e ainda não foi indenizado
Pouco depois, enquanto o casal ainda cumpria pena nos Estados Unidos, veio o segundo baque. Em 18 de janeiro de 2009 o telhado da sede da Renascer, na avenida Lins de Vasconcelos, no Cambuci, área central de São Paulo, desabou. No espaço onde boa parte dos cultos era filmada e transmitida, nove pessoas morreram e 117 ficaram feridas. Um laudo preliminar apontou como causa do acidente problemas de conservação e manutenção da estrutura. Dois anos e oito meses após a tragédia, ninguém foi formalmente indenizado. Em pelo menos dez processos, a igreja foi condenada a pagar valores aos fiéis e parentes das vítimas fatais que variam entre R$ 10 mil e R$ 150 mil. Mas os representantes da entidade recorreram de todas as decisões de primeira instância. Somente o advogado Ademar Gomes promove 37 ações de indenização. “A responsabilidade da igreja em relação ao que aconteceu já está comprovada pelos laudos técnicos do Instituto de Criminalística.” O professor de inglês Juris Megnis Júnior, 43 anos, perdeu a mãe, Maria Amélia de Almeida, 60, e a avó Acir Alves da Silva, 79. Sem chance de escapar dos escombros, elas morreram abraçadas. “Não há um dia em que não pense nisso. Nada vai reparar”, afirma. Dirigentes da Renascer respondem criminalmente e na área cível pelo caso em dois processos, que ainda não têm perspectiva de desfecho.
A bispa na Marcha para Jesus, em São Paulo
Com a credibilidade abalada, a frequência nas igrejas e a arrecadação caíram ainda mais. Nas reuniões com o bispado nessa época, que aconteciam às terças-feiras, para rever os resultados da semana anterior, as humilhações se multiplicaram. Se antes Estevam e Sônia maltratavam os bispos que não atingiam as metas, agora, dos Estados Unidos, as broncas vinham por videoconferência, com muito mais veemência. “As reu­niões sempre foram um massacre”, lembra um dissidente. “Mas, com eles nos Estados Unidos, as coisas pioraram, embora um time de bispos daqui, junto com o filho do casal, o bispo Tid, tenha articulado um saneamento nas contas da instituição.”
Quando o plano começou a dar resultados, em agosto de 2009, Tid, ou Felippe Daniel Hernandes, precisou fazer uma operação para reparar uma cirurgia de redução de estômago malsucedida. Durante o procedimento, ele teve uma parada cardiorrespiratória que causou um edema cerebral, comprometendo o funcionamento do órgão e, para todos os efeitos, interditando Tid, que passou a viver em estado vegetativo. A fatalidade, terrível para qualquer família, foi ainda pior para os Hernandes, que tinham no filho um sucessor natural preparado para assumir a Renascer quando Sônia e Estevam se aposentassem. O futuro de uma igreja que já se arrastava ficou ainda mais incerto. Embora na instituição ainda se fale em um milagre, para os médicos, o coma do herdeiro, hoje com atividade neurológica quase nula, é irreversível. Sônia é vista quase diariamente visitando o filho na ala de tratamento semi-intensivo do Hospital Albert Einstein. Muitas vezes a visita é feita tarde da noite, depois dos cultos. Quando Tid precisa passar por qualquer procedimento, como foi o caso na semana do dia 5 de setembro, momento em que trocou uma sonda de alimentação, a bispa para tudo para ficar ao lado do primogênito.
Em meados de 2009, foi o agravamento do estado de Tid que adiantou a volta do casal dos Estados Unidos. A Justiça americana autorizou o retorno 15 dias antes do fim da sentença, no começo de agosto, para que os pais estivessem no Brasil, caso o estado de saúde do filho piorasse. O retorno marcou uma piora na instituição. O saneamento das contas foi interrompido de vez e a torneira voltou a se abrir para bancar os gastos de Estevam e Sônia. “Não podíamos tirar da contagem nem o dinheiro para pagar o papel higiênico, que dirá o aluguel do templo”, diz um bispo sobre a época que sucedeu o retorno do casal. Contagem é o nome dado pelos religiosos para o procedimento que acontece logo depois do culto, quando as doações são somadas. “Tínhamos que remeter tudo direto para a sede.” Com o aluguel atrasado em diversos locais, a igreja começou a receber ordens de despejo. Em levantamento de dezembro de 2010 feito pelo site Folha Renascer, uma espécie de fórum aberto sobre assuntos ligados à igreja dos Hernandes, 29 templos aparecem com a ordem registrada por falta de pagamento de aluguel em nove foros paulistanos. Hoje com fama de má pagadora, a Renascer tem dificuldade de encontrar proprietários dispostos a tê-la como inquilina.
Foi também em 2010 que a igreja perdeu seu garoto-propaganda e principal dizimista, o jogador de futebol Kaká. Com a mulher, Caroline Celico, eles formavam uma dupla que fortalecia e divulgava a Renascer no Brasil e no mundo. O casal Hernandes não comenta a saída, muito menos o atleta do Real Madrid. Apenas Caroline arrisca alguns comentários enviesados. “Confiei no que me falavam. Parei de buscar as respostas de Deus para mim e comecei a andar de acordo com a interpretação dos homens”, escreveu ela em seu blog. O mau uso do dízimo pago pelo craque, que sabia do fechamento de templos e da fuga de lideranças, teria motivado o rompimento com a igreja. Foi um baque financeiro e tanto. Kaká é o sexto jogador mais bem pago do mundo e, estima-se, depositava nas contas da Renascer 10% dos R$ 21 milhões anuais que recebia.
A saída do casal Kaká e Caroline Celico da Renascer representou um baque e tanto à instituição: eram os principais dizimistas
No fim, quem mais sofre é o fiel. Sua religiosidade acaba envolvida, marginal e injustamente, em questões pouco sagradas. Os evangélicos têm todo o direito de pagar o dízimo e as igrejas de recolhê-lo. O problema é quando o dinheiro desaparece dos templos para reaparecer em forma de ternos, sapatos, brincos e anéis de lideranças pouco comprometidas com a fé. “Estamos nos trâmites finais do processo, em primeira instância, que acusa tanto Estevam quanto Sônia por dissimulação de patrimônio, também conhecida como lavagem de dinheiro”, diz o promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo (Gaeco-SP), Arthur Lemos Júnior. O casal costuma atribuir as acusações à perseguição ou à ação de forças malignas. Até meados dos anos 2000 esse discurso tinha algum efeito. Hoje, porém, as coisas mudaram. “A Renascer nunca mais será o que foi”, sentencia Romeiro. Será difícil honrar seu nome de batismo.

Fonte: ISTOÉ.

Igreja multinacional

A Igreja Universal do Reino de Deus é considerada um dos melhores exemplos de uma religião com mentalidade empresarial. A igreja diz estar estabelecida em 110 países, alcance não conseguido por nenhuma empresa multinacional brasileira.

Muitos temem que negócios estejam substituindo questões mais importantes relacionadas à fé
Mas apesar de as práticas empresariais estarem disseminadas na Universal, muitos fiéis temem que os negócios estejam tomando o lugar de questões mais importantes e reclamam que são vistos cada vez mais apenas como consumidores.
Para a construção de seu megatemplo em São Paulo, orçado em mais de R$ 350 milhões, a Igreja está pedindo doações aos seus fiéis, em troca da inscrição de seus nomes em uma das 640 colunas do templo.
Dízimo
Nos anos 1980, Mara Maravilha era dançarina, cantora, apresentadora de programa infantil de TV e foi até capa da revista Playboy. Mas há 15 anos, Mara se tornou fiel da Universal. Hoje, ela canta músicas gospel e tem uma loja de produtos evangélicos em São Paulo. Ela defende fervorosamente o dízimo, a política de doar 10% dos ganhos à igreja.
“Quando o homem não dá o dízimo para a casa de Deus, ele está roubando a Deus”, afirma. “Chegamos na igreja e damos 10%, agora se o pastor vai fazer certo ou errado, isso não cabe mais a mim”, diz.
Apesar da estrutura empresarial, ninguém sabe quanto fatura a Universal, já que a Igreja é isenta de impostos e não tem que abrir suas contas.

Crescimento evangélico estimula mercado de consumo e religião

Algumas Igrejas desenvolveram estruturas empresariais e planos de carreira; outras lançaram até cartões de crédito.
O crescimento dos evangélicos no Brasil, em especial no ramo pentecostal, provocou mais do que mudanças religiosas: fortaleceu um mercado econômico, que chama a atenção tanto de igrejas como da iniciativa privada. De seu lado, as igrejas criaram estratégias de negócios. Algumas desenvolveram estruturas empresariais e planos de carreira; outras lançaram até cartões de crédito. E diversas montaram grupos e reuniões em que estimulam os fiéis a abrir negócios próprios e sanar suas finanças, com base na Teologia da Prosperidade – movimento que prega o bem-estar material do homem.
“Passava uma vida de miséria, comendo carcaça de frango”, conta uma frequentadora da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), acrescentando que, depois que começou a assistir às “reuniões da prosperidade” semanais da igreja, “as portas começaram a se abrir”. O depoimento é exibido pela própria IURD no YouTube. Em outro vídeo, um fiel diz que seus negócios não deram certo até ele entrar para o culto. Depois de “sair das trevas”, ele comprou “quatro, cinco casas”, onde cabem “sete ou oito carros”.
“A igreja é um local de ritos, mas hoje também um espaço de trocas e bens simbólicos”, diz Leonildo Silveira Campos, do departamento de Ciências Sociais e Religião da Universidade Metodista. “É voltada a pessoas cada vez menos preocupadas com questões transcendentais, e sim com o aqui e o agora. Para o novo pentecostal, o dinheiro não é para ser acumulado como previa a ética protestante, mas para comprar o carro e o apartamento novo. Para se inserir no mercado de consumo.”
Igrejas e empresas respondem a isso com produtos, que incluem cartões de crédito (emitidos pelas igrejas Internacional da Graça de Deus e Assembleia de Deus) e lançamentos constantes. A rua Conde de Sarzedas, no Centro de São Paulo, se especializou em atender consumidores cristãos. Ali, é possível comprar de bíblias segmentadas a CDs, jogos de tabuleiro com temas bíblicos e pacotes de turismo para Egito e Israel.

Público fiel

“É um lugar onde as pessoas sabem o que querem consumir. É um público fiel”, diz a cantora e apresentadora Mara Maravilha, que, há 15 anos convertida à fé evangélica, tem uma loja onde vende seus CDs e DVDs gospel na Conde de Sarzedas. Daniel dos Reis Berteli, 29 anos, da Igreja Nazareno do Brasil, comprava livros, roupas e CDs evangélicos em uma loja ao lado. “Antes, não tínhamos essa variedade de livros”, diz. “Há uns 15 anos, minha mãe fazia lembrancinhas religiosas com cartolina. Hoje, está tudo mais profissional.”
A percepção de que o setor caminhava rumo à profissionalização levou Eduardo Berzin Filho a promover a feira ExpoCristã, realizada há dez anos em São Paulo. Ele diz que a edição de 2010 atraiu 160 mil visitantes e expositores como editoras, gravadoras gospel, empresas de mobiliário para igrejas e até consultorias de gestão de templos.
O mais claro exemplo pentecostal de estratégia de negócios vem da Igreja Universal do Reino de Deus, que diz ter presença em mais de cem países – mais do que qualquer multinacional brasileira. A IURD montou uma estrutura empresarial que faz de seus pastores “profissionais da religião, com metas de atração e conversão de fiéis, de arrecadação (de dízimo) e de ampliação de recursos”, afirma Ricardo Mariano, professor da PUC-RS e autor de um livro sobre a Universal.
Para os pastores, diz Mariano, “existe quase um plano de carreira, que permite que eles passem para congregações maiores, vão para outros países e participem de programas de TV” se baterem as metas. A IURD e outras seguem “os principais preceitos do marketing: preço, publicidade, praça (localização de templos) e produto”, opina Mario René, professor de Ciências do Consumo na ESPM e doutor em teologia prática.
Os especialistas ressaltam que há traços de profissionalização e mercantilização também em outras religiões – só que eles estão mais evidentes nas pentecostais e neopentecostais por conta de sua exposição midiática e do próprio crescimento dos evangélicos no Brasil. Segundo o estudo Novo Mapa das Religiões, da FGV, os evangélicos representavam 20,2% da população brasileira em 2009, contra 9% em 1991. Boa parte se concentra na emergente classe C. Os pentecostais são por volta de 12% da população, mas, segundo estudo prévio da FGV, respondem por 44% das doações feitas às igrejas.

Doações

Agora, além de solicitar “ofertas” para continuar a “obra de Deus”, a Igreja Universal pede contribuições para financiar o Templo de Salomão – versão brasileira de um histórico templo em Israel. Em um culto recente da igreja em São Paulo, o pastor exibia aos fiéis um vídeo sobre o templo, que está sendo erguido na Zona Leste da cidade e custará R$ 350 milhões. ” Os (doadores) terão seus nomes colocados nas 640 colunas do templo”, diz o pastor, pouco antes de serem entregues envelopes para doações. “O bispo disse que um homem doou R$ 200 mil. Se você não pode R$ 200 mil, pode mil, pode R$ 500. Doe de acordo com a sua fé.”
Alguns fiéis apoiam o pagamento do dízimo e doações desse tipo como forma de dar continuidade ao trabalho religioso. Mara Maravilha, fiel da Universal, é uma delas. Para a cantora, quem não paga a contribuição está “roubando de Deus” e “se o pastor vai fazer certo ou errado (com o dinheiro), isso não cabe mais” ao fiel. “Graças a Deus que se abrem muitas igrejas. É melhor do que abrir botequim”, afirma Mara. “A gente, por mais que dê, nunca vai conseguir dar mais do que Deus nos dá.”
Ela também rejeita as críticas de mercantilismo. “Os produtos têm efeito que não tem dinheiro que pague para uma pessoa sem esperança. Antes, eu vendia até revista masculina. Hoje, vendo a palavra de Deus. Estou errada hoje ou estava antes?”

Perigo

A executiva Márcia Félix, 37 anos, fiel da Igreja Quadrangular, tem opinião semelhante. Afirma que sua igreja incentiva seu crescimento e a realização de seus sonhos e que o eventual enriquecimento de pastores não a incomoda. “Busco primeiro o Reino de Deus e sua justiça”, argumenta a fiel evangélica. “Se tem quem rouba, é cada um com Deus.”
Já Daniel Berteli, frequentador da Conde de Sarzedas, diz que considera a visão empresarial da religião “perigosa”. “(Algumas igrejas) têm deixado o princípio de servir e viraram indústria.” O limite para a atuação das igrejas é difícil de definir, levando-se em conta que é tênue a linha que separa consumo e religião.
“Não temos um compartimento mental para a religião”, diz Mário René, da ESPM. “Todos buscamos sentido, que pode ser atingido por espiritualidade, responsabilidade social, esoterismo e até pelo consumo.” René avalia ainda que, hoje, a prática comercial é praticamente inerente ao processo de angariar fiéis para uma determinada crença. “Posso abrir uma igreja com praticamente nada. E daí, o que eu faço? Preciso de uma estratégia de marketing para ter sucesso, então vou procurar um pastor carismático e assim por diante”, diz o pesquisador.
Para Ricardo Mariano, da PUC-RS, a questão é se a narrativa do apelo à prosperidade terá força no longo prazo. “Se a solução para os problemas (dos fiéis) é pontual, como engajá-los por um longo período? Isso não foi resolvido ainda.