Web Radio Jesus Cristo Gospel: 2012-11-18

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Á Cabala e Obra Maliguina

Os Mistérios da Cabala
O misticismo – a busca da verdade suprema através de rituais misteriosos e experiências subjetivas – há séculos exerce fascínio sobre a humanidade. Sob a alegação de proporcionar uma compreensão mais profunda dos segredos complexos e enigmáticos do Universo, o misticismo promete aos interessados a sua inclusão num grupo de elite, seduz ao oferecer garantias de elucidar o sentido da vida e fascina com a promessa de levar a pessoa a uma relação mais íntima com Deus.
Durante toda a história humana, as culturas têm produzido suas versões do misticismo. O povo judeu não é exceção. A forma mais influente e expressiva de misticismo judaico se desenvolveu em Israel, na Babilônia e em certas regiões da Europa, entre os séculos X e XVIII d.C. Em grande parte, originou-se de uma reação contra o judaísmo estéril e filosófico daqueles dias. Ela ficou conhecida como Cabala (“Tradição”). O rabino Meyer Waxman descreveu a Cabala como “uma síntese desordenada de todos os elementos do misticismo que sempre achou expressão no judaísmo”.[1]
Na verdade existem duas correntes de pensamento na Cabala: a prática e a especulativa. A Cabala prática enfoca o uso de fórmulas místicas para realizar milagres ou obras sobrenaturais. Através da manipulação dos nomes de Deus, de anjos e das próprias letras de palavras da Torah [a Lei ou Pentateuco], a Cabala prática alega que certas combinações podem ser feitas para produzir qualquer feitiço, encantamento ou resultado que se deseje, seja a cura de um doente, seja o sucesso nos negócios.
As dez sephiroth juntas são simbolicamente representadas pela figura de um corpo humano, ou pela árvore da vida, ou por círculos concêntricos, ou ainda, pela luz em suas diversas gradações.


A Cabala especulativa, que incorpora e se impõe sobre a Cabala prática, é mais teórica. Ela lida com certas questões, tais como, a maneira pela qual um Deus infinito pode criar e se relacionar com um mundo físico e finito. Segundo a Cabala, a resposta para tal questão é: através da mediação.
A mediação é efetuada por intermédio de anjos, bem como por intermédio das dez emanações de Deus, denominadas sephiroth.
Essas sephiroth, conforme escreveu o rabino Waxman, “são manifestações tanto da essência [de Deus] quanto dos agentes de Sua vontade” na terra. É por meio dessas manifestações que o mundo não apenas veio a existir, como também tem sido preservado, organizado e governado”.[2] As dez sephiroth juntas são simbolicamente representadas pela figura de um corpo humano, ou pela árvore da vida, ou por círculos concêntricos, ou ainda, pela luz em suas diversas gradações.
Outra influente doutrina da Cabala é a concepção de que tudo possui dois poderes ou energias inerentes: a ativa e a passiva; simbolizadas por macho e fêmea. A Cabala apregoa que a própria alma humana constitui-se tanto de uma parte masculina, quanto de outra parte feminina. [Os adeptos crêem que] a alma preexistente, ao descer dos mundos superiores, se subdivide nessas duas partes – a parte masculina entra num homem e a parte feminina entra numa mulher. Se um homem vive uma vida justa, ele se casará com aquela mulher que possui a outra parte de sua alma, ou seja, a sua “alma gêmea”.
A principal obra escrita da Cabala é o Zohar (“Esplendor”), um enigmático comentário da Torah, cuja ênfase recai na busca de um significado oculto ou místico que esteja além do sentido normal e literal do texto bíblico.
O povo judeu já estuda a Cabala há muito tempo, contudo, nas últimas quatro décadas o interesse por ela cresceu significativamente, especialmente entre certos artistas de Hollywood, como Madonna, por exemplo, que assumiu publicamente ser praticante da Cabala. O estilo “pop” da Cabala dessas celebridades, defendido por uma organização sem fins lucrativos sediada em Los Angeles denominada The Kabbalah Centre [Centro da Cabala], tem sido censurado pelos cabalistas tradicionais pelo fato de franquear os ensinos secretos da Cabala aos que não são judeus e por banalizar suas doutrinas. Os tradicionalistas também criticam o Kabbalah Centre por sua visão comercial e busca de lucros (por exemplo, por vender amuletos da sorte, tais como o popular cordão vermelho que está na última moda, ou a pulseira dobrável que se ajusta ao pulso para proteger do “mau-olhado”; e por fazer propaganda de uma nova bebida energética cabalística).
O Kabbalah Centre em Los Angeles, na Califórnia (EUA).

A Cabala contraria totalmente os ensinos da Bíblia. No que se refere à mediação, a Palavra de Deus declara: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1 Tm 2.5). No que diz respeito aos segredos, o apóstolo Paulo lembra aos crentes em Cristo de Colossos que nenhum segredo místico pode ter a pretensão de se comparar ao segredo revelado por Deus, a saber, Jesus, o Messias, “em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Cl 2.3).
Moisés declarou: “As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei” (Dt 29.29). Há certas coisas que Deus reservou para Si e não revelou. Entretanto, não temos necessidade de nos preocupar com elas. Pelo contrário, nossa atenção e obediência devem estar voltadas para aquilo que Ele revelou em Sua Palavra escrita. Deus planejou para nós o ensino claro das Escrituras, não esse amontoado de bobagens sutis reservado a poucos de uma “elite” (1 Tm 6.20; 2 Tm 1.13). (Bruce Scott - Israel My Glory - http://www.beth-shalom.com.br)

Profeta da mentira


Profeta da mentira
O avanço do islã
A população e a influência muçulmanas têm crescido constantemente no Ocidente.

Nem sempre é fácil rejeitar uma falsa religião e, ao mesmo tempo, aceitar os adeptos dela como seres humanos. É correto repudiar as reivindicações palestinas sobre Israel e Jerusalém. Alguns, porém, também amaldiçoam os palestinos como pessoas. Isso está errado! Do mesmo modo, não devemos responsabilizar minorias por problemas nacionais, como aconteceu no tempo do nazismo, quando se dizia: "Os judeus são nossa desgraça!"
Por outro lado, deveríamos manter os olhos abertos para não cair em armadilhas. A tolerância com os intolerantes não é o caminho da convivência, mas uma estrada de mão única para a destruição. O verdadeiro amor ao próximo não aceita o mal que ele, porventura, representa, mas tenta conduzi-lo ao bem.
O islamista Al Tabari (839-923 d. C.), atualmente muito citado, ensina: "As mentiras são permitidas quando favorecem um muçulmano". Apesar disso, muitas igrejas têm o islã em alta estima [e cada vez mais buscam a integração e cooperação com ele]. Entretanto, ficamos chocados quando lemos certas afirmações dos muçulmanos, como o texto que foi publicado na Alemanha:
O islã vencerá!
"Quando a Alemanha estava arrasada, nós estrangeiros viemos e reconstruímos o país. Os estrangeiros trouxeram o bem-estar à Alemanha. Sem os estrangeiros, os alemães viveriam em suas ruínas até hoje. Portanto, a conclusão lógica é: o país pertence a quem o reedificou. O próximo chanceler deve ser um muçulmano. A cruz tem de desaparecer. O islã é a força maior. Enquanto o número de adeptos das igrejas cai constantemente, a população muçulmana aumenta rapidamente na Alemanha. O islã vencerá!"
Quando os trabalhadores estrangeiros começaram a chegar à Alemanha, pensava-se que eles seriam rapidamente assimilados pela cultura européia, supostamente mais elevada. Entretanto, essa integração dos estrangeiros não ocorreu e formou-se uma sociedade multicultural na qual os muçulmanos radicais pressionam os não-muçulmanos com agressividade cada vez maior.
Talvez alguns leitores achem minhas preocupações exageradas. Quero deixar claro que sou a favor de uma sociedade multicultural. É saudável romper a uniformidade de pensamento e ampliar o horizonte além dos limites da própria nacionalidade e organização social. Mas, o hóspede não pode tomar conta da casa. Portanto, qual é o papel do islã? O Apocalipse fala da trindade anticristã: Satanás, o Anticristo e o falso profeta (Ap 16.13; 19.20; 20.10). Este último será um profeta da mentira, ou seja, ele enganará as pessoas – com mentiras permitidas pela sua doutrina, porque servem à sua causa.
O islã é a religião do "profeta". A partir dessa perspectiva, poderíamos supor que o islamismo assumirá o papel do falso profeta nessa trindade apocalíptica. O perigo não são os muçulmanos como pessoas, mas o espírito do islã, que já penetrou em muitas igrejas, tornando-as dóceis diante dele. Conforme o Apocalipse, a sedução, a que sucumbem atualmente certas igrejas, passará a ser global. (Ludwig Schneider
O avanço do islã
A população e a influência muçulmanas têm crescido constantemente no Ocidente.

Nem sempre é fácil rejeitar uma falsa religião e, ao mesmo tempo, aceitar os adeptos dela como seres humanos. É correto repudiar as reivindicações palestinas sobre Israel e Jerusalém. Alguns, porém, também amaldiçoam os palestinos como pessoas. Isso está errado! Do mesmo modo, não devemos responsabilizar minorias por problemas nacionais, como aconteceu no tempo do nazismo, quando se dizia: "Os judeus são nossa desgraça!"
Por outro lado, deveríamos manter os olhos abertos para não cair em armadilhas. A tolerância com os intolerantes não é o caminho da convivência, mas uma estrada de mão única para a destruição. O verdadeiro amor ao próximo não aceita o mal que ele, porventura, representa, mas tenta conduzi-lo ao bem.
O islamista Al Tabari (839-923 d. C.), atualmente muito citado, ensina: "As mentiras são permitidas quando favorecem um muçulmano". Apesar disso, muitas igrejas têm o islã em alta estima [e cada vez mais buscam a integração e cooperação com ele]. Entretanto, ficamos chocados quando lemos certas afirmações dos muçulmanos, como o texto que foi publicado na Alemanha:
O islã vencerá!
"Quando a Alemanha estava arrasada, nós estrangeiros viemos e reconstruímos o país. Os estrangeiros trouxeram o bem-estar à Alemanha. Sem os estrangeiros, os alemães viveriam em suas ruínas até hoje. Portanto, a conclusão lógica é: o país pertence a quem o reedificou. O próximo chanceler deve ser um muçulmano. A cruz tem de desaparecer. O islã é a força maior. Enquanto o número de adeptos das igrejas cai constantemente, a população muçulmana aumenta rapidamente na Alemanha. O islã vencerá!"
Quando os trabalhadores estrangeiros começaram a chegar à Alemanha, pensava-se que eles seriam rapidamente assimilados pela cultura européia, supostamente mais elevada. Entretanto, essa integração dos estrangeiros não ocorreu e formou-se uma sociedade multicultural na qual os muçulmanos radicais pressionam os não-muçulmanos com agressividade cada vez maior.
Talvez alguns leitores achem minhas preocupações exageradas. Quero deixar claro que sou a favor de uma sociedade multicultural. É saudável romper a uniformidade de pensamento e ampliar o horizonte além dos limites da própria nacionalidade e organização social. Mas, o hóspede não pode tomar conta da casa. Portanto, qual é o papel do islã? O Apocalipse fala da trindade anticristã: Satanás, o Anticristo e o falso profeta (Ap 16.13; 19.20; 20.10). Este último será um profeta da mentira, ou seja, ele enganará as pessoas – com mentiras permitidas pela sua doutrina, porque servem à sua causa.
O islã é a religião do "profeta". A partir dessa perspectiva, poderíamos supor que o islamismo assumirá o papel do falso profeta nessa trindade apocalíptica. O perigo não são os muçulmanos como pessoas, mas o espírito do islã, que já penetrou em muitas igrejas, tornando-as dóceis diante dele. Conforme o Apocalipse, a sedução, a que sucumbem atualmente certas igrejas, passará a ser global. (Ludwig Schneider

A psicologia do atentados

A psicologia dos atentados por homens-bomba
Pierre Rehov é um cineasta francês que já tinha feito seis documentários sobre a intifada (rebelião) durante viagens ocultas a terras palestinas. Seu filme “Suicide Killers” [“Assassinos Suicidas”, lançado nos Estados Unidos no começo de 2006] é baseado em entrevistas com familiares de assassinos suicidas e com homens-bomba cujos atentados fracassaram, numa tentativa de descobrir os motivos que levam essas pessoas a cometer tal tipo de atentado. Após um debate na rede de TV americana MSNBC, Pierre Rehov aceitou responder algumas das minhas perguntas.
Pergunta: O que o inspirou a produzir “Suicide Killers”, seu sétimo filme?
Resposta: Eu comecei a trabalhar com vítimas de ataques suicidas para fazer um filme sobre PTSD (Perturbação Pós-traumática do Stress) e fiquei fascinado pela personalidade daquelas pessoas que perpetravam esse tipo de crime, considerando as descrições que as vítimas faziam repetidamente deles. Especialmente pelo fato de esses homens-bomba estarem sempre sorrindo um segundo antes de se explodirem.
– Por que esse filme é particularmente importante?
Mulher-bomba com seu filho.


– As pessoas não compreendem a cultura devastadora que se esconde por detrás desse fenômeno inacreditável. Meu filme não é politicamente correto, pois ele aborda o problema real: mostra a verdadeira face do Islã. Ele mostra e acusa uma cultura de ódio, na qual pessoas sem qualquer educação sofrem uma lavagem cerebral de tal ordem que sua única solução na vida passa a ser matar a si mesmos e a outros em nome de Alá, cuja palavra, segundo lhes disseram outros homens, tornou-se sua única segurança.
– Que tipo de percepção íntima você adquiriu a partir do filme? O que você sabe agora que outros especialistas não sabem?
– Eu cheguei à conclusão de que estamos vivendo uma neurose ao nível de uma civilização inteira... Nesse caso, estamos falando de crianças e jovens que vivem suas vidas em pura frustração... Como o Islã descreve o céu como um lugar onde tudo será finalmente permitido – e promete 72 virgens a esses garotos frustrados – matar outras pessoas e matar a si mesmos para alcançar a redenção torna-se a única solução.
– Como foi a experiência de entrevistar os homens-bomba frustrados em seus ataques, os seus familiares e as vítimas sobreviventes dos atentados?
Foi uma experiência fascinante e aterradora ao mesmo tempo. Você está lidando com pessoas aparentemente normais, de muito boas maneiras, com sua lógica própria e que, até certo ponto, pode fazer sentido – já que elas estão convencidas de que o que dizem é verdade. É como lidar com a simples loucura, entrevistando pessoas num sanatório: o que elas dizem é, para elas, a mais absoluta verdade. Eu ouvi uma mãe dizendo: “Graças a Alá, meu filho está morto”. Seu filho havia se tornado um shahid (mártir), o que para ela era uma fonte de orgulho maior do que se ele tivesse se tornado um engenheiro, um médico ou um ganhador do Prêmio Nobel. Esse sistema de valores é completamente invertido, sua interpretação do Islã valoriza a morte muito mais do que a vida. Você está lidando com pessoas cujo único sonho, cujo único objetivo é realizar aquilo que elas acreditam ser seu destino: ser um shahid ou parente de um shahid. Eles não vêem as pessoas inocentes que são assassinadas, eles enxergam apenas os “impuros” que têm de destruir.
–Você disse [no debate anterior na MSNBC] que os homens-bomba experimentam um momento de poder absoluto, acima de qualquer punição. Seria a morte o poder supremo?
– Não a morte como um fim, mas como uma passagem para o “além-vida”. Eles buscam a recompensa que Alá lhes prometeu. Eles trabalham para Alá, a autoridade máxima, acima de toda e qualquer lei dos homens. Assim, eles experimentam esse momento único e ilusório de poder absoluto, em que nada de mau pode atingi-los pois eles se tornaram a espada de Alá.
Foto de meninos vestidos como combatentes no “Festival da Criança Palestina” no Iêmen (publicada no site do Hamas).


– Existe um perfil típico da personalidade de um homem-bomba? Descreva essa psicopatologia.
– A maioria são jovens entre 15 e 25 anos que carregam inúmeros complexos, geralmente complexos de inferioridade. Eles certamente foram doutrinados religiosamente. Geralmente não têm uma personalidade bem desenvolvida. São usualmente idealistas bastante impressionáveis. No mundo ocidental, eles facilmente se tornariam viciados em drogas – mas não criminosos. É interessante, eles não são criminosos porque eles não enxergam o bom e o mau como nós enxergamos. Se eles tivessem crescido na cultura ocidental, eles detestariam a violência. Mas eles batalham constantemente contra a ansiedade da própria morte. A única solução para essa patologia tão profundamente arraigada é querer morrer e ser recompensado numa vida após a morte, no paraíso.
– Os homens-bomba são motivados principalmente por convicção religiosa?
– Sim, esta é a única convicção que eles possuem. Eles não agem assim para conquistar um território, ou para encontrar liberdade, ou mesmo dignidade. Eles apenas seguem Alá, o juiz supremo, e aquilo que ele manda que façam.
– Todos os muçulmanos interpretam a jihad (guerra santa) e o martírio da mesma maneira?
Todos os muçulmanos religiosos acreditam que, no final, o Islã prevalecerá sobre a terra. Acreditam que a sua é a única religião verdadeira e não há qualquer espaço, em suas mentes, para interpretações. A principal diferença entre muçulmanos moderados e extremistas é que os moderados não acreditam que irão testemunhar a vitória absoluta do Islã durante o tempo de suas vidas e, assim, eles respeitam as crenças dos outros. Os extremistas acreditam que a realização da profecia do Islã e seu domínio sobre todo o mundo, como descrito no Corão, é para os nossos dias. Cada vitória de Bin Laden convence 20 milhões de muçulmanos moderados a se tornarem extremistas.
– Descreva-nos a cultura que forja os homens-bomba.
– Opressão, falta de liberdade, lavagem cerebral, miséria organizada, entrega a Alá do comando sobre a vida cotidiana, completa separação entre homens e mulheres, ...destituição de qualquer tipo de poder às mulheres e total encargo dos homens de zelar pela honra familiar, o que diz respeito principalmente ao comportamento de suas mulheres.
– Quais as forças sócio-econômicas que sustentam a perpetuação dos homens-bomba?
– A caridade muçulmana é geralmente um disfarce para a assistência a organizações terroristas. Mas deve-se observar igualmente que países como o Paquistão, a Arábia Saudita e o Irã, que também dão apoio às mesmas organizações, utilizam-se de métodos diferentes. O irônico, no caso dos terroristas suicidas palestinos, é que a maior parte do dinheiro chega através do apoio financeiro fornecido pelo mundo ocidental, doado a uma cultura que, no fim das contas, odeia e rechaça o Ocidente (simbolizado principalmente por Israel).
– Existe uma rede de incentivo financeiro para as famílias dos homens-bomba? Em caso positivo, quem faz os pagamentos e qual o peso desse incentivo sobre a decisão [de animar um filho a se tornar um assassino suicida]?
Homens-bomba suicidas posando com o Corão.


– Havia um incentivo financeiro à época de Saddam Hussein (US$ 25.000 por família) e Yasser Arafat (valores menores), mas isso já é passado. É um erro acreditar que essas famílias sacrificariam seus filhos por dinheiro. Entretanto, os próprios jovens, que são muito presos às suas famílias, costumam encontrar nessa ajuda financeira uma outra razão para se tornarem homens-bomba. É como comprar uma apólice de seguro e, depois, cometer suicídio.
– Por que tantos homens-bomba são jovens do sexo masculino?
– ...a sexualidade é fator soberano. Também o ego, pois esse é um caminho certo para se tornar um herói. Os shahid são os cowboys ou os bombeiros do Islã. Ser um shahid é um valor positivamente reforçado nessa cultura. E qual criança nunca sonhou ser um cowboy ou um bombeiro?
– Qual o papel desempenhado pela ONU nessa equação terrorista?
– A ONU está nas mãos dos países árabes, dos países do Terceiro Mundo ou de antigos regimes comunistas. É uma instituição de mãos atadas. A ONU já condenou Israel mais vezes do que qualquer outro país do mundo, incluindo os regimes de Fidel Casto, Idi Amin ou Kadafi. Agindo dessa forma, a ONU deixa sempre o caminho livre, já que não condena abertamente as organizações terroristas. Além disso, através da UNRWA [Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina] a ONU está diretamente conectada a organizações terroristas como o Hamas, que representa 65% de todo seu aparelhamento nos assim chamados campos de refugiados palestinos. Como forma de apoiar os países árabes, a ONU vem mantendo os palestinos nesses campos, na esperança do “retorno” a Israel, por mais de 50 anos – fazendo, assim, com que seja impossível assentar essa massa populacional que ainda vive em condições deploráveis. Quatrocentos milhões de dólares são gastos anualmente, subsidiados principalmente por impostos dos EUA, para sustentar 23.000 funcionários da UNRWA, muitos dos quais sabidamente pertencem a organizações terroristas (sobre esse assunto, consulte o meu filme “Hostages of Hatred” [Reféns do Ódio]).
– Você disse anteriormente que um homem-bomba é, simultaneamente, uma “bomba estúpida” e uma “bomba inteligente”. Pode explicar o que isso significa?
– Diferentemente de um artefato eletrônico, um homem-bomba tem, até o último segundo, a capacidade de mudar de idéia. Na verdade, ele é nada mais que uma plataforma política representando interesses alheios a si mesmo – ele apenas não se dá conta disso.
Como podemos dar um fim na perversidade desses ataques suicidas e do terrorismo em geral? Parando de ser politicamente corretos e parando de acreditar que essa cultura é uma vítima da nossa. O islamismo radical hoje é simplesmente uma nova forma de nazismo. Ninguém tentava justificar ou desculpar Hitler na década de 1930. Nós tivemos que destruí-lo para que fosse possível a paz com o povo alemão.
– Esses homens têm viajado em grande número para fora de suas regiões nativas? Com base em sua pesquisa, você diria que estamos começando a assistir a uma nova onde de ataques suicidas fora do Oriente Médio?

A Politica Messianica de Ahmadinejad

A política messiânica de Ahmadinejad
Imediatamente após assumir a presidência do Irã, Mahmoud Ahmadinejad começou a declarar sua crença no retorno iminente do Mahdi como base para suas atividades políticas. A despeito da crença tradicional de que ninguém pode prever a hora do retorno do Mahdi, Ahmadinejad freqüentemente afirmava que a vinda dele estava próxima, e até mesmo fez uma predição específica. Durante uma reunião com o ministro de Relações Exteriores de um país islâmico, ele disse que a crise no Irã “era um presságio da vinda do Imã Oculto (ou Escondido), que apareceria dentro dos próximos dois anos”.[1] Em um discurso feito em dezembro de 2006 em Kermanshah, Ahmdinejad desejou aos cristãos um Feliz Natal, e disse: “Eu, neste ato, anuncio que, com a ajuda de Deus, não está longe o dia em que Jesus voltará ao lado do Imã Oculto”.[2]
Ahmadinejad não apenas desejava proclamar a iminente vinda do Mahdi e, desta forma, dar legitimidade a sua política e suas ações ao associá-las com o Imã Oculto, como também se apresentou como sendo aquele que está em conexão direta com Deus. Em um discurso sobre o programa nuclear do Irã, ele afirmou ter “uma conexão com Deus” e exortou os iranianos a serem crentes verdadeiros para que Deus os apoiasse em sua luta justa em favor da tecnologia nuclear.
“Creiam[-me], falando legalmente, e aos olhos da opinião pública, nós fomos absolutamente bem sucedidos. Falo isso com conhecimento de causa. Certa pessoa me perguntou: ‘Você realmente possui uma conexão? Com quem?’ Eu respondi: ‘Tenho uma conexão com Deus’, uma vez que Deus disse que os infiéis não terão como fazer mal aos crentes. Bem, [mas] apenas se formos crentes, porque Deus disse: Vocês [serão] os vitoriosos. Mas os mesmos amigos dizem que Ahmadinejad diz coisas estranhas.
Se nós formos [verdadeiramente] crentes [islâmicos], Deus nos mostrará a vitória, e este milagre. Hoje é necessário que um camelo fêmea surja do coração da montanha[3] para que meus amigos aceitem o milagre? Não foi a Revolução [Islâmica] [suficientemente] miraculosa? O Imã [aiatolá Khomeini] não foi um milagre?”.[4]
Ahmadinejad também se apresentou como aquele que está inteirado das intenções e ações de Deus, o que se refletiu em sua afirmação de que “Deus designou o Imã Oculto para ser nosso sustentador”.[5] A reivindicação de ter um relacionamento direto com Deus também ficou evidenciada no discurso que ele fez quando de seu retorno ao Irã após ter se pronunciado na Assembléia Geral da O.N.U., em 2005. Ahmadinejad afirmou que, à medida que ele estava fazendo seu pronunciamento na O.N.U., sentiu-se “rodeado por um halo de luz” simbolizando a natureza messiânica de sua mensagem às nações do mundo.[6]
Os discursos de Ahmadinejad têm sido caracterizados pelo uso de termos messiânicos e pela ênfase na necessidade de preparar o terreno para o retorno do Mahdi.[7] Por exemplo, em um discurso feito em maio de 2007 na província de Kerman, ele disse: “Temos uma missão – fazer do Irã o país do Imã Oculto”.[8]
Como parte do compromisso dos ministros iranianos com essas preparações, e a partir da sugestão de Parviz Daoudi, assessor sênior de Ahmadinejad, eles assinaram um compromisso de fidelidade a Ahmadinejad.[9]
De acordo com sua política messiânica, Ahmadinejad também endossou uma tradição folclórica iraniana-xiita que afirma que o Imã Oculto dá importância especial à mesquita Jamkaran, em Qom – uma tradição que não tem sido apoiada pelas autoridades religiosas conservadoras.[10] Como parte dessa política, o ministro Iraniano da Cultura e da Orientação Educacional Islâmica, Mohammad Hossein Saffar Harandi, recebeu a ordem de jogar o compromisso de fidelidade dos ministros em um poço no pátio da mesquita Jamkaran, onde os crentes jogam suas orações e pedidos pessoais.
Blackstone
De acordo com sua política messiânica, Ahmadinejad também endossou uma tradição folclórica iraniana-xiita que afirma que o Imã Oculto dá importância especial à mesquita Jamkaran, em Qom – uma tradição que não tem sido apoiada pelas autoridades religiosas conservadoras.

Ahmadinejad também alocou 10 milhões de dólares para a renovação da mesquita e de seus arredores em preparação para o retorno do Mahdi, e, em 2005, gastou em torno de 8 milhões de dólares em refrigerantes para os peregrinos durante a celebração do aniversário do Mahdi.[11] O encorajamento do regime ao mahdismo também fica evidente no conteúdo do site do serviço de notícias do governo do Irã. Por exemplo, o site apresenta informações sobre a série iraniana de televisão chamada “O Mundo em Direção à Iluminação”, que trata da chegada iminente do Mahdi.[12]
Deve-se observar que as manifestações políticas das crenças messiânicas de Ahmadinejad eram evidentes mesmo antes de sua eleição à presidência do país. De acordo com relatos, durante seu mandato como prefeito de Teerã (2003-2005), a municipalidade imprimiu um mapa da cidade que mostrava, dentre outras coisas, o roteiro que será empreendido pelo Mahdi quando de seu retorno.[13]
No Seminário Internacional Sobre a Doutrina do Mahdismo, realizada no Irã nos dias 6 e 7 de setembro de 2006, durante as celebrações do aniversário do Mahdi, e tendo a participação de representantes de diversos países, Ahmadinejad enfatizou a natureza universal e ativa do mahdismo e convidou o Ocidente a aceitá-la:
Hoje, a humanidade está prosseguindo em direção à verdade. Hoje, a felicidade da humanidade depende de se prosseguir em direção à verdade. Hoje, nós convidamos a todos para prosseguirem em direção à verdade, uma vez que [a verdade] é o único caminho (...) Esta celebração [do aniversário do Mahdi] não é apenas para os muçulmanos, mas para todo o mundo. O Mahdi pertence a toda a humanidade (...).
O Imã Oculto não possui uma presença tangível entre nós, mas ele está sempre [aqui], e devemos preparar o caminho para seu rápido aparecimento (...) Alguns afirmam que, durante sua ocultação, sua [nobreza] está suspensa, mas isso não é verdade (...) Pelo contrário, devemos nos apressar em direção a ele e acelerar o passo para preparar o caminho para seu aparecimento. [Ele não aparecerá] se nós ficarmos sentados preguiçosamente. A humanidade deve avançar com rapidez em direção ao Imã Oculto a fim de alcançá-lo. Uma pessoa que [apressa ativamente a vinda do Imã] é diferente daquela que não o faz (...) Hoje, a humanidade está prosseguindo rapidamente em direção à perfeição, à verdade, à justiça, ao amor, à paz e à compaixão, e isso é possível apenas debaixo do governo do homem perfeito

A ONU traiu seus ideais

Uma "honorável sociedade"
A ONU traiu seus ideais
Uma das características marcantes da ONU é um notório anti-semitismo. Na foto: o edifício-sede da organização em Nova Iorque.

Em 1994, o regime racista hutu matou meio milhão de tutsis em Ruanda, apenas porque eles eram tutsis. A arma preferida nos massacres foi o facão; os assassinos cortavam a jugular de homens, mulheres e crianças e deixavam que se esvaíssem em sangue. Naquele tempo, havia tropas da ONU no país. Seu comandante, general Roméo Dallaire, implorou à sede da organização em Nova Iorque que lhe enviasse mais soldados capacetes azuis. Seu pedido de reforços não foi atendido. Pelo contrário, ele recebeu ordens expressas para abandonar as vítimas. Finalmente, a ONU retirou todas as suas tropas de Ruanda.
Um ano mais tarde, o espetáculo sangrento se repetiu na Europa, se bem que em menores proporções. Os capacetes azuis da ONU permitiram que combatentes sérvios entrassem na cidade bósnia de Srebrenica. Rapidamente foram mortos em torno de 7.000 muçulmanos bósnios. Enquanto isso, o general responsável pelas forças da ONU ficou bebendo com o comandante sérvio. Conta-se que os soldados da ONU até mostraram aos sérvios como poderiam chegar aos bósnios. Mais tarde, as valas comuns onde foram enterradas as vítimas apareciam claramente em fotos de satélites.
Diversos outros crimes menores foram cometidos ou ao menos apoiados pela ONU. Em maio de 2000, quando as tropas israelenses saíram do Sul do Líbano, elas não foram substituídas pelo exército libanês, mas pela milícia islâmica radical do Hezbollah (Partido de Alá). Esses terroristas ultrapassaram a fronteira e seqüestraram quatro soldados israelenses. Há provas concretas de que a operação contou com a ajuda de soldados da ONU. Não se tem qualquer notícia dos quatro reféns.
É espantoso que a ONU continue gozando de alto prestígio. Certamente foram ideais nobres que levaram à sua criação, mas o mesmo se deu com a Máfia. Como ela, também a ONU é uma "honorável sociedade": dos seus 189 países-membros, 4/5 têm governos não-democráticos ou que não respeitam os direitos humanos.
A maravilhosa e admirável Síria, por exemplo, faz parte do Conselho de Segurança! Há mais de meio século a Síria é dominada pelo partido Baath, cujo co-fundador, Sami al-Yundi, escreveu: "Éramos racistas, admirávamos o nazismo, líamos seus livros e buscávamos as fontes das suas idéias, principalmente Nietzsche... Fomos os primeiros a pensar em traduzir ‘Mein Kampf’." Mais alguma pergunta?
Pintura do monumento que representa as palavras bíblicas "...converterão as suas espadas em relhas de arados". Em sua arrogância, a ONU pretende realizar aquilo que está reservado a Deus.

Uma das características marcantes da ONU é um notório anti-semitismo. Se algum marciano quisesse formar uma opinião sobre a Terra através da leitura das resoluções da ONU, suas conclusões seriam inevitáveis: (1) Existe um enorme país, chamado Israel, que se dedica principalmente à tortura e ao massacre de inocentes. (2) A ONU é uma organização cuja principal função é promover o julgamento do Estado judeu. Alguns números que comprovam essa realidade: de março a junho de 2001, Israel foi condenado cinco vezes pela ONU. No mesmo período, a República Popular da China executou 1.781 pessoas, e não foi condenada nenhuma vez. Quando os soldados israelenses entraram em Jenin em 2002 (e não promoveram um massacre, o que até a ONU teve de admitir com relutância), eles descobriram que os terroristas do Hamas tinham transformado o campo de refugiados local em depósito de armas e laboratório de explosivos. Isso aconteceu com a concordância da ONU ou, ao menos, sob sua permissão, pois ela detinha o controle de Jenin.
Em janeiro, a Líbia do tirano Muammar al-Khadaffi foi eleita para presidir a Comissão de Direitos Humanos da ONU. Se alguém acha que se trata de um escândalo, na verdade não entendeu nada. Usando a definição de Hegel, essa escolha é apenas a "verdade" da ONU: ela revelou seu caráter, o de uma "honorável sociedade". (Die Welt)
"...converterão as suas espadas em relhas de arados e suas lanças, em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra" (Mq 4.3b).
Esse texto bíblico consta de um monumento diante do edifício-sede da ONU em Nova Iorque. Trata-se de uma doação feita pela União Soviética ateísta em 1959. Realmente, é impressionante saber quem cita a Palavra de Deus – mesmo que seja para expressar o anseio justificado da humanidade por paz mundial.
Quando, porém, lemos essa promessa bíblica no seu contexto, fica clara a profunda arrogância com que ela foi citada: a ONU pretende realizar aquilo que está reservado a Deus. No início do capítulo, lemos quando ocorrerá o cumprimento: "Mas, nos últimos dias, acontecerá que o monte da Casa do Senhor será estabelecido no cimo dos montes... e para ele afluirão os povos... Irão muitas nações e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas..." (Mq 4.1-2). Então Deus "julgará entre muitos povos e corrigirá nações poderosas e longínquas..." (v. 3a).
No entanto, com relação ao julgamento das nações pelo seu comportamento em relação ao povo de Deus e à terra de Israel, lemos o oposto do que diz o versículo citado pela ONU: "Forjai espadas das vossas relhas de arado e lanças, das vossas podadeiras; diga o fraco: Eu sou forte" (Jl 3.10). Somente depois que as nações forem corrigidas por Deus, elas converterão suas espadas em relhas de arados e suas lanças em podadeiras e não aprenderão mais a guerra! Isso ocorrerá no Milênio. (Wolf Klaiber -

A doutrina do mahdismo

A doutrina do mahdismo

Muitos ocidentais gostam de pensar que a religião não tem nenhum papel na política moderna. Entretanto, a crença na figura messiânica do islamismo, denominada o Mahdi ou o Imã Oculto (ou Escondido), é que dirige as políticas do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. Os xiitas crêem que o Mahdi voltará, governará sobre um sistema único na terra, e derramará o julgamento sobre todos os não-muçulmanos. Este artigo apresenta a doutrina do mahdismo e mostra como ela afeta o mundo. (extraído de Middle East Media Research Institute [Instituto de Pesquisa Sobre a Mídia do Oriente Médio] – www.MEMRI.org).
De acordo com a tradição xiita, os Doze Imãs, descendentes de Ali Ibn Abi Talib (Imã Ali), primo e genro do profeta Maomé, foram dotados de qualidades divinas que os capacitaram a conduzir os crentes xiitas e para operarem como emissários de Alá na terra. No entanto, quando o Décimo Segundo Imã, Muhammad Al-Mahdi,[1] desapareceu no ano 941 d.C., sua conexão com os crentes xiitas foi rompida. Desde então, foi ordenado aos xiitas que aguardem pelo retorno dele a qualquer momento.
Nesse ínterim, os clérigos xiitas mais destacados são considerados representantes dos Imãs. Assim, eles têm autoridade para tratar dos assuntos da comunidade xiita, principalmente nas esferas religiosa e jurídica, até que o Imã Oculto retorne, lidere a comunidade xiita e a liberte de seus sofrimentos.
De acordo com a crença xiita, durante o período da ausência do Mahdi (período esse denominado ghaibat ou “ocultação”), ninguém, exceto Deus, sabe a hora do retorno do Mahdi, e nenhum homem pode pressupor ou prever quando essa hora chegará. Com o reaparecimento do Mahdi, todos os males serão reparados, a justiça divina será instaurada e a verdade do islamismo xiita será reconhecida pelo mundo inteiro (mahdismo).[2]

O mahdismo e o regime islâmico no Irã

Desde o estabelecimento do regime islâmico, em 1979, até a ascensão ao poder de Mahmoud Ahmadinejad, em agosto de 2005, o mahdismo vinha sendo uma doutrina religiosa e uma tradição que não possuía nenhuma manifestação política. O sistema político funcionava independentemente dessa crença messiânica e da expectativa do retorno do Mahdi. Foi apenas com a presidência de Ahmadinejad que essa doutrina religiosa tornou-se uma filosofia política e foi levad a um lugar central na política.
Aiatolá Ahmad Jannati, chefe do Conselho de Guardiões.

Durante a era do aiatolá Ruhollah Khomeini, fundador do regime islâmico do Irã, o mahdismo permaneceu fora do âmbito político. Sem dúvida, porém, a era de Khomeini foi caracterizada pelo fervor messiânico. Os iranianos atribuíam qualidades messiânicas a ele e lhe conferiram o título de “Imã”, que até então havia sido reservado para os Doze Imãs. Na verdade, a chegada de Khomeini ao poder foi vista na época como a realização da profecia que dizia respeito ao retorno do Mahdi.
A instauração do Governo do Jurisprudente (velayat-e faqih) por Khomeini no Irã motivou uma transformação no xiismo, substituindo sua tradicional passividade por uma perspectiva mais ativa. Como parte dessa mudança, Khomeini afirmou que os xiitas não deveriam apenas aguardar passivamente pelo retorno do Mahdi, mas deveriam ativamente preparar o terreno para seu retorno e para a libertação da comunidade xiita. Um componente dessa abordagem ativa foi a tomada do poder pelos clérigos. Entretanto, Khomeini manteve a doutrina do mahdismo na periferia da esfera política. Ele nem afirmou possuir uma conexão direta com Deus, nem presumiu prever a hora do retorno do Mahdi.
Após a morte de Khomeini em 1989, o mahdismo teve um declínio no Irã. As administrações de Ali Akbar Hashemi Rafsanjani (1989-1997) e de Mohammad Khatami (1997-2005) mantiveram uma estreita separação entre a política e o mahdismo – uma política que mudaria com a presidência de Ahmadinejad.[3]
Este documento analisa a politização do mahdismo pelo presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad e por seu mentor espiritual, aiatolá Taqi Mesbah-e Yazdi.

O messianismo na política externa iraniana

A doutrina messiânica do mahdismo também está manifestada na política externa iraniana, especialmente em sua atitude com relação às superpotências ocidentais e com respeito ao programa nuclear. O aiatolá Mesbah-e Yazdi, mentor de Ahmadinejad, expressou a seguinte abordagem em um discurso no dia 11 de outubro de 2006: “A maior obrigação daqueles que aguardam o aparecimento do Mahdi é lutar contra a heresia e a arrogância global [i.e., do Ocidente, principalmente dos Estados Unidos]”.[4]
Os discursos de Ahmadinejad são caracteristicamente irônicos a respeito das “forças da arrogância”, i.e., do Ocidente, principalmente dos Estados Unidos, e ameaçadores com relação a quaisquer pessoas que não aceitem o messianismo xiita como uma alternativa à “perdição e destruição” que as está aguardando: “Aqueles que não responderem ao chamado para prosseguirem em direção à verdade – um bom destino não os aguarda. Ouvi dizer que o presidente de um desses países [i.e., o [então] presidente dos Estados Unidos, George Bush] (...) disse que o presidente do Irã o estava ameaçando. Eu disse a ele: ‘Não sou eu que o está ameaçando. É o mundo inteiro que o ameaça porque o mundo em sua totalidade é rápido contra a opressão e os opressores. Vocês [países ocidentais] não são nada comparados ao poder de Deus. Nós os convidamos a [tomarem] o caminho da retidão, o caminho dos Profetas, do monoteísmo e da justiça. Se pensam que podem se sentar em seus palácios de cristal e determinar o destino do mundo, vocês estão enganados. (...) Nosso chamado [a vocês] para tomarem a direção da verdade [tem origem] na compaixão. Não queremos que se metam em problemas, uma vez que vocês sabem que o resultado da opressão e da injustiça é perdição e destruição”.[5]
Essas características também são evidentes na política nuclear de Ahmadinejad. Em contraste com o governo de Khatami, que se empenhou por amenizar a posição do Ocidente com respeito à questão nuclear via constante diálogo, Ahmadinejad e seu círculo mais próximo não evitam confrontar o Ocidente, já que eles consideram que essa luta é uma das maneiras de preparar o terreno para o retorno do Mahdi.
De acordo com o diário Rooz, “Alguns daqueles mais próximos de Ahmadinejad, que freqüentemente falam sobre [a necessidade de] preparar o terreno para o retorno do Mahdi, fazem explicitamente a ligação [do destino] do dossiê nuclear iraniano com essa necessidade. (...) De acordo com informações confiáveis, eles enfatizaram, em diversas reuniões privativas, que a oposição [iraniana] à pressão global [sobre o programa nuclear iraniano] e sua insistência no direito de utilizar a energia nuclear estão entre as maneiras de preparar o terreno para o retorno do Imã [Oculto]”.[6]
Aiatolá Ahmad Khatami, um amigo chegado de Ahmadinejad.

O mahdismo e a ideologia do aiatolá Mohammad Taqi Mesbah-e Yazdi

Um discurso feito no Seminário Internacional sobre a Doutrina do Mahdismo pelo aiatolá Mohammad Taqi Mesbah-e Yazdi mostra que ele também considera a crença no Mahdi como um conceito que transcende o âmbito religioso ou teórico. O aiatolá Yazdi deu a essa crença uma tangível dimensão político-ideológica quando explicou que o retorno do Mahdi levaria ao estabelecimento de um governo único sobre todo o mundo e que a presente batalha contra os infiéis e contra “a arrogância global” está preparando o terreno e apressando a vinda do Mahdi:[7]
“Implementar as leis do islamismo, estabelecer a justiça e lutar contra a heresia e a opressão são os deveres mais importantes daqueles que aguardam o [retorno do] Imã Oculto e preparam o terreno para sua vinda. (...) Devemos intensificar a fé religiosa e [o poder] da religião no Irã e no mundo inteiro. (...) Com a finalidade de apressar a vinda do Imã Oculto, devemos disseminar a justiça e a lei religiosa para aumentarmos a consciência do público a respeito dessas coisas [por todo o mundo] para que a fé [xiita] seja aceita pela sociedade [em todos os lugares]. (...)
Um dos aspectos ideológicos da doutrina mahdista é [sua] universalidade, uma vez que o Mahdi vem para estabelecer justiça e retidão no mundo inteiro. Um outro aspecto é a disseminação da justiça e da retidão [segundo a lei de] um único homem, um único centro, e um único sistema. Como o Imã Oculto é o responsável pela disseminação da justiça e da retidão, o mundo precisará ter um único centro e governo (...) para que possa sair de um estado de [divisão] e estabelecer um único governo [universal] dirigido pelo [Imã Oculto], e todo tipo de opressão e de exploração será [então] banido do mundo”.
Em um discurso em 2006 que marcava o aniversário do Mahdi, o aiatolá Mesbah-e Yazdi enfatizou a importância de lutar contra a heresia que, em sua opinião, está retardando a vinda do Mahdi:
“Nosso mais nobre dever é lutar para reduzir a opressão, ser mais [rigorosos] na execução da lei islâmica (...) e enfraquecer o controle dos regimes opressivos e tirânicos sobre os oprimidos. Essas [ações] podem [acelerar] o retorno do Imã Oculto. (...) Se quisermos acelerar a vinda do Mahdi, devemos remover quaisquer obstáculos [que estejam atrasando seu retorno]. Quais são os obstáculos que estão atrasando o aparecimento do Mahdi? [Eles são] a negação [herética] da bênção [conferida] sobre a sociedade pela presença do Imã, [assim como] a ingratidão, a insubordinação e as objeções [à doutrina do mahdismo]. Se quisermos apressar a vinda do Mahdi, devemos eliminar esses obstáculos. Devemos lutar para instaurar maior justiça, assegurar uma implementação [mais rigorosa] da lei islâmica, [fazer com que] as pessoas tenham maior interesse na fé e suas diretivas, [estabelecer] as leis religiosas como [valores] dominantes da sociedade, [assegurar] que a fé religiosa seja tida como um consenso nas conferências, e limitar [o controle dos opressores, i.e., das potências ocidentais] sobre os oprimidos em todo o mundo – tanto muçulmano quanto não-muçulmano. [É isso que devemos fazer] a fim de prepararmos o terreno para a vinda do Mahdi. Dessa forma, a maior obrigação daqueles que aguardam o aparecimento do Mahdi é lutar contra a heresia e a arrogância global”.[8]

Faixa de Gaza – uma visão árabe

Faixa de Gaza – uma visão árabe

A hostilidade dos palestinos contra Israel é o resultado direto de anos de incitamento anti-Israel e anti-ocidental no mundo árabe e muçulmano – não apenas em relação a Israel, mas também em relação aos Estados Unidos. No atual mundo dos palestinos, qualquer um que fale sobre a paz com Israel é um traidor e um colaborador, mas qualquer um que clame pela destruição de Israel e que dispare foguetes contra Tel Aviv e contra Jerusalém é um herói.
Não existe nada que cause mais náuseas do que observar pessoas se regozijando à medida que foguetes são disparados contra Israel a partir da Faixa de Gaza.
Foi isto que aconteceu quando o Hamas lançou foguetes contra Jerusalém e Tel Aviv.
Assim que as sirenes foram acionadas, muitos palestinos saíram às ruas e subiram nos telhados, especialmente nas regiões árabes de Jerusalém, para aclamarem o Hamas. Às vezes, eles respondiam aos foguetes do Hamas lançando fogos de artifício ao ar como sinal de alegria e cantando: “Todos nós somos Hamas!” e “Ei, judeus, o exército de Maomé está caçando vocês”.
Cenas de júbilo por causa dos ataques dos foguetes sobre Israel também foram relatadas em várias cidades palestinas na Margem Ocidental, incluindo Ramallah, centro do “pragmatismo e da moderação” palestinos.
Mais tarde, ao saberem que os foguetes do Hamas haviam fracassado em sua intenção de matar israelenses nas duas cidades, os palestinos expressaram sua decepção.
Não importa que os foguetes poderiam ter caído sobre as cabeças deles mesmos. No que diz respeito a esses palestinos, não há problemas se vários árabes são mortos no processo de destruir Israel.
As celebrações refletem a forte hostilidade que muitos palestinos continuam a sentir com respeito a Israel, a despeito dos 20 anos de um processo de paz e dos bilhões de dólares de ajuda que receberam do Ocidente. Essa hostilidade é o resultado direto de anos de incitamento anti-Israel e anti-ocidental no mundo árabe e islâmico.
A hostilidade não é dirigida apenas contra Israel, mas também contra seus amigos – sobretudo os Estados Unidos.
Semelhantes explosões de júbilo estouraram em muitas partes da Margem Ocidental, na Faixa de Gaza e na parte oriental de Jerusalém, imediatamente após os palestinos terem ouvido a respeito dos ataques terroristas nos Estados Unidos em 11 de setembro.

1) Garoto palestino atira para o alto em comemoração à queda das Torres Gêmeas. 2) Mulher palestina recebe doces grátis de um vendedor na Jerusalém Antiga após saberem dos ataques ao World Trade Center.
E esta não foi a primeira vez que os palestinos expressaram regozijo quando cidades de Israel foram alvejadas.
Durante a guerra de 2006 no Líbano, os palestinos e alguns cidadãos árabes de Israel subiram aos telhados para aplaudirem os ataques dos foguetes do Hezb’allah (Partido de Alá) nas cidades da região Norte de Israel.
Durante a Segunda Intifada, muitos palestinos, especialmente na Faixa de Gaza, tomavam as ruas para cantar, dançar e distribuir doces depois de saberem sobre outro atentado suicida dentro de Israel.
E quando Saddam Hussein atirou foguetes contra Israel no início dos anos 1990, os palestinos também saíram às ruas e subiram nos telhados, cantando: “Ó amado Saddam, ataque, ataque Tel Aviv!”.
A propósito, no início do conflito em Gaza, muitos palestinos em Ramallah, Nablus e Hebron estavam cantando: “Ó amado Qassam [a ala armada do Hamas], destrói, destrói Tel Aviv!” e “O povo quer a destruição de Israel!”.
Ninguém está esperando que os palestinos expressem solidariedade ou simpatia por Israel em sua confrontação com o Hamas.
Mas, quando muitos palestinos manifestam sua alegria em público devido aos ataques de foguetes e mísseis às cidades de Israel, temos o direito de pensar se existe uma maioria de palestinos que concordaria com qualquer forma de compromisso com Israel.
No atual mundo dos palestinos, qualquer um que fale sobre a paz com Israel é um traidor e um colaborador, mas qualquer um que clame pela destruição de Israel e dispare foguetes contra Tel Aviv e contra Jerusalém é um herói. (Khaled Abu Toameh - www.gatestoneinstitute.org - http://www.beth-shalom.com.br)
Khaled Abu Toameh, um muçulmano árabe, é jornalista veterano, vencedor de prêmios, que vem dando cobertura jornalística aos problemas palestinos por aproximadamente três décadas.
Ele estudou na Universidade Hebraica e começou sua carreira como repórter trabalhando para um jornal afiliado à Organização Para a Libertação da Palestina (OLP), em Jerusalém.
Abu Toameh trabalha atualmente para a mídia internacional, servindo como “olhos e ouvidos” de jornalistas estrangeiros na Margem Ocidental e na Faixa de Gaza.

Os Conflitos que não Acabam

Se você não conseguir visualizar o email, clique aqui.






O QUE Á BIBLIA DIZ SOUBRE Á VIOLENCIA NO MUNDO




Dois advogados da Bavária (Alemanha) pediram há algum tempo a um ministro do governo alemão para classificar a Bíblia como um livro perigoso para crianças, por causa do seu conteúdo violento. "Ela prega o genocídio, o racismo, inimizade para com os judeus, execuções terríveis de adúlteros e homossexuais, o assassinato de seus próprios filhos e muitas outras coisas perversas", escreveram Christian Sailer e Jeoachim Hetzel. Mais tarde, ambos também disseram que a Palavra de Deus contém "passagens sangrentas e que violam os direitos humanos". Eles queriam que a Bíblia fosse colocada na lista de livros impróprios para crianças até que as passagens ofensivas fossem removidas. Quanta intolerância desses liberais!
Uma coisa está clara sobre esses advogados alemães: eles não entendem nada da interpretação das idéias e dos ensinamentos da Bíblia. Se formos nos basear no seu modo de pensar, todos os livros de história e a maioria dos artigos de jornal também teriam de entrar nessa lista, caso fossem aplicados os mesmos padrões. É claro que esse tipo de acusação é absurda, sendo fruto da lógica "politicamente correta" levada ao extremo.
Não obstante, durante anos tenho visto muitos cristãos que criam na Bíblia abandonarem a fé, por acreditarem que a violência por si só é sempre um erro. Muitos cristãos caíram por causa dessa linha de raciocínio liberal, que diz que a violência é sempre errada. Se isso fosse verdade, teria faltado ética ao próprio Deus.
O filme "O Patriota" foi considerado impróprio para menores [nos EUA], porque mostrava um menino tentando atirar num soldado inglês durante a guerra pela independência dos Estados Unidos. Não há quase nenhum palavrão e nenhuma cena de sexo no filme, mas por causa da visão liberal de que toda violência é categoricamente algo ruim, o filme foi censurado.
Você já parou para pensar: se Hollywood fizesse um filme fiel aos relatos da Tribulação e da Segunda Vinda, esse filme seria um dos mais violentos da história do cinema? Então, podemos nos perguntar: qual é a perspectiva bíblica da violência e como ela se relaciona com a profecia?
A Bíblia e a violência
Não estou dizendo que a violência é uma coisa boa. O que quero dizer é que, na perspectiva bíblica, neste mundo caído, pode-se afirmar que existe a violência "boa" e a "ruim". Creio que a Bíblia ensina que existe uma violência que deve ser exercida contra o mal e que há também a violência ruim, aquela praticada contra os inocentes.
A violência surgiu por causa da queda do homem, através do ato de rebeldia de Adão (Gênesis 3.1-18). Por causa daquele ato de desobediência, Deus amaldiçoou Adão, Eva e a serpente [Satanás] (Gênesis 3.8-18). A maldição de Deus foi o julgamento dos culpados por causa de sua rebelião. O julgamento normalmente envolve algum tipo de violência.
Já que Deus é justo, Ele não pode permitir que o pecado e a rebelião fiquem impunes. Logo, quando a justiça de Deus encontra o pecado, o resultado é um julgamento violento. O julgamento é necessário porque Deus é justo. Essa é a violência justa, de Deus para o homem.
A violência injusta é demonstrada pelo homem caído para com o seu semelhante, sendo que ela é uma conseqüência da sua natureza caída e pecaminosa. Por exemplo, violência ruim foi o resultado do ciúme que Caim teve de Abel, quando o assassinou (Gênesis 4.3-15) com uma faca que era usada para os sacrifícios (essa idéia está implícita na palavra grega usada em 1 João 3.12). Esse é o tipo de violência ruim à qual devemos nos opor, já que ela é a expressão do nosso pecado, da nossa rebelião contra Deus e Seus mandamentos.
As coisas não ficaram melhores depois que Caim matou seu irmão. Ao invés disso, elas degeneraram, gerando mais violência. Gênesis 6.11 nos diz que uma das razões para o dilúvio nos dias de Noé foi que "a terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência".
Certamente não de violência justa, mas sim da violência reprovável dos homens, por causa do seu pecado. A justiça de Deus foi expressa no dilúvio porque Sua perspectiva era que a terra "...estava corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra" (Gênesis 6.12). A resposta de Deus foi: "...os farei perecer juntamente com a terra" (Gênesis 12.13) – um julgamento justo expresso no ato violento do dilúvio.
O dilúvio não lavou a natureza pecaminosa da humanidade, nem seus atos pecaminosos individuais. Já que a humanidade não poderia se autogovernar, Deus instituiu o instrumento do governo civil, acompanhado da pena capital, com o propósito de restringir a violência da humanidade (Gênesis 9.5-7), até que Cristo retorne para reinar e governar pessoalmente durante o Milênio. Gênesis 9.6 diz: "Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem [isto é, pela humanidade] se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem".
Assim sendo, o ato violento da pena capital foi determinado por Deus para ser mediado pelo governo civil como um tipo da violência justa. Deus implementou a pena capital para o assassinato mesmo sabendo, em Sua onisciência, que o Seu único Filho, o Senhor Jesus, seria assassinado no maior erro judiciário da história. A crucificação de Cristo foi claramente um ato de violência ruim.
Profecia e violência
Qualquer pessoa familiarizada com as profecias bíblicas sobre o final dos tempos entende que as Escrituras retratam a violência global. A Tribulação, que durará sete anos, será um tempo em que mais da metade da população do planeta irá morrer (veja Apocalipse 6.8,8,15). Alguns irão morrer pela mão de outros homens (Apocalipse 6.8), enquanto outros serão mortos por anjos (Apocalipse 9.15). Entretanto, todo esse período de sete anos é chamado de tempo da "ira de Deus" (veja Apocalipse 6.15-17; 14.10,19; 15.1,7; 16.1,19; 19.15). Zacarias 13.8 ensina claramente que dois terços dos judeus também serão mortos durante a Tribulação. Essa passagem não indica que porcentagem será destruída por agentes humanos ou divinos. Os eventos da Tribulação são uma mera preparação para o massacre que ocorrerá no Armagedom (Apocalipse 16.16; Joel 3.2,9-17), seguido pelo julgamento que nosso Senhor trará sobre o planeta Terra (Mateus 24.29-31; Apocalipse 19.11-21). Inclusive, no intervalo de setenta e cinco dias, entre a Segunda Vinda de Cristo e o início do Seu reino de mil anos (Daniel 12.11-12), todo incrédulo que ficar na terra será julgado e destruído (Mateus 13.40-43; 25.31-46).
Quando tentamos entender o plano profético de Deus para o universo e para a terra, deveria ficar claro que o julgamento de um Deus justo faz parte dele. Mas a graça de Deus para com os Seus eleitos, em todos os tempos, está incluída em todos os julgamentos relatados na Bíblia. O julgamento de Deus, que se dá através da história, é expresso na forma de uma violência boa, ou seja, da violência justa. Mas, por que é necessário que exista a violência proveniente de Deus?
O mal não pode ser removido sem a violência de Deus
Durante anos tenho encontrado muitas pessoas que expressaram seu desejo de ver o mal e a violência removidos do mundo. Essa preocupação se manifesta seguidamente em forma da pergunta: "Por que Deus permite as guerras, o sofrimento e a violência?" Tal questionamento demonstra como o mal e a violência não são entendidos corretamente.
O mal, a morte e a violência entraram no mundo como resultado do pecado do homem (Romanos 5.12-21; 1 Coríntios 15.20-22). O mal entrou no universo por intermédio de Satanás e de seus anjos caídos (Isaías 14.1-23; Ezequiel 28.1-19; Apocalipse 12.4), e o homem optou por ele. O julgamento de Deus através de um meio violento, a morte (e outros sofrimentos), é a única resposta que um Ser verdadeiramente santo e justo poderia dar.
Logo, para atender ao pedido dos críticos – "Deus não deve permitir o mal em Seu universo" – requer-se que haja um julgamento violento, para que o mal seja separado do bem. O pedido para que se remova o mal do universo é também uma exigência para que venha o fim da história, quando Deus removerá o mal através do Seu julgamento justo. É isso que o céu e o inferno representam: a separação eterna entre o bem e o mal. Não haverá violência no céu, mas ela nunca cessará no inferno. Paulo disse aos Tessalonicenses que eles poderiam descansar e não deviam preocupar-se em buscar vingança contra aqueles que eram a fonte de suas "...perseguições e tribulações" (2 Tessalonicenses 1.4). Por quê? Porque Deus irá tomar conta do problema quando voltar para o julgamento. Note que Paulo diz: "se, de fato, é justo para com Deus que ele dê em paga tribulação aos que vos atribulam e a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder, quando vier para ser glorificado nos seus santos e ser admirado em todos os que creram, naquele dia (porquanto foi crido entre vós o nosso testemunho)" (2 Tessalonicenses 1.6-10).
Tal declaração requer violência para que seja cumprida. Essa violência será boa e justa porque desse modo serão corrigidos alguns dos erros da história. O Deus da Bíblia é um Deus justo.
Conclusão
Certamente todos nós já lemos uma história ou assistimos a um filme em que um indivíduo, um grupo ou uma nação são oprimidos por um tirano ou um valentão. Num ponto crucial da história, um herói chega para salvar a vítima e destrói o opressor. Quando chega esse momento na trama, sempre há uma sensação de alívio e de euforia porque o mocinho triunfou sobre o bandido, o bem sobre o mal, a justiça sobre a injustiça. Isso é o que deverá acontecer no drama real da história humana. Nosso Senhor retornará à terra, no ápice da tirania global de Satanás, do Anticristo e do Falso Profeta; e os lançará no abismo e no lago de fogo (Apocalipse 19.19-20.3). Espero que você esteja ao meu lado celebrando quando esse evento violento ocorrer. Talvez o mundo incrédulo irá questionar essa violência. Ainda assim, esse será um tempo em que Deus implementará na história a Sua retidão e justiça.
Estou convencido de que uma das razões porque muitos incrédulos se opõem à violência é porque sentem, no fundo de sua alma, que são incrédulos e que violaram os padrões de justiça de Deus. Essas pessoas sentem que, quando chegar a hora em que Deus separará para sempre o bem do mal, serão elas mesmas que receberão o julgamento violento de Deus. Logo, assim como Satanás, elas buscam estabelecer um padrão artificial, pelo qual tentarão dizer ao Deus santo: "Isso não é justo!" E, se isso não é justo, Deus não tem o direito de julgá-las. Entretanto, suas consciências pesadas não serão a base legítima para condenar a Deus e escusá-las, pois as Escrituras dizem que, no julgamento final, ninguém poderá se esconder desse evento (Apocalipse 20.11) e toda boca se calará diante dEle (Romanos 3.19). Todas as criaturas entenderão que o Deus da Bíblia é justo e reto. Sendo assim, todos os Seus atos são justos e retos, mesmo os atos de violência.
Mas é maravilhoso sabermos que Ele já providenciou uma maneira de escaparmos do julgamento violento de Deus. Ele fez isso através da morte violenta de Jesus na cruz, para que todo aquele que nEle crer receba a vida eterna e não entre em condenação. Essas são verdadeiras "boas novas" diante da realidade em que vivemos.
Por isso podemos acreditar que nem todo tipo de violência é ruim. Alguns tipos são bons, conforme tem sido demonstrado na história atual e será revelado a todos para que vejam e entendam como se dará a implementação do plano de Deus no futuro. Maranata! (Thomas Ice




à Violencia no Mundo

Guerra no Oriente Médio22/11/2012 | 08h00

Órgão dos direitos humanos aponta mais de 40 mil mortos em 20 meses de conflito na Síria

Número de civis que perderam a vida no confronto entre rebeldes e militares passa de 28 mil

A violência na Síria já deixou mais de 40 mil mortos, em sua maioria civis, desde o começo dos protestos contra o regime de Bashar al-Asad há 20 meses, informou nesta quinta-feira o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

O OSDH é uma ONG com sede na Grã-Bretanha e que baseia seus dados nas informações transmitidas por uma rede de militantes e fontes médicas de hospitais civis e militares na Síria.

Ao menos 28.026 civis morreram desde 15 de março de 2011, segundo a ONG, que considera civis aqueles que decidiram empunhar armas contra as tropas do regime. O número de soldados mortos chegou a 10.150 e o de desertores a 1.379.

— Temos que levar em conta outros 574 mortos cujas identidades não foram estabelecidas — explicou o presidente do OSDH, Rami Abdel Rahman, o que elevaria o número de mortos a 40.129.

Estas contas porém não levam em consideração as milhares de pessoas desaparecidas nem a maioria dos mortos entre os "shabihas" (militantes do regime). A brutal repressão do regime ao movimento de protesto popular desencadeou uma guerra civil.

Os combates entre rebeldes e soldados e os bombardeios aéreos e com artilharia das tropas leais deixam dezenas de mortos todos os dias. No fim de outubro, o mediador internacional para a Síria, Lakhdar Brahimi, propôs uma trégua por ocasião da festa muçulmana do Aid al-Adha, que não foi respeitada. A comunidade internacional, profundamente dividida, não consegue encontrar uma solução para o conflito.


Grupos armados e Israel farão anúncio de trégua

Hamas, Jihad Islâmica e mediador egípcio devem se pronunciar ainda hoje

Uma trégua entre os grupos armados palestinos da Faixa de Gaza e Israel será anunciada nesta noite no Cairo, afirmaram fontes do Hamas e da Jihad Islâmica.
"Haverá nesta noite uma coletiva de imprensa conjunta do Hamas, da Jihad Islâmica e do mediador egípcio", afirmou à AFP uma fonte da Jihad Islâmica. Uma fonte do Hamas confirmou a informação.
Dez pessoas, incluindo uma criança de cinco anos, morreram na manhã desta segunda-feira na Faixa de Gaza no sexto dia da ofensiva militar israelense, que desde o início provocou 87 mortes, informaram fontes médicas palestinas.
Quatro pessoas, incluindo um menino de cinco anos e duas mulheres de 20 e 23 anos, morreram em um ataque no bairro de Zeitun, na cidade de Gaza. Três palestinos da mesma família morreram em um ataque com foguete contra um carro no qual circulavam por Deir al-Balah, centro da Faixa de Gaza.
Além disso, um fazendeiro de 50 anos foi encontrado morto na cidade de Beit Lahiya, norte do território palestino. Outros dois agricultores morreram em um ataque em Qarara, ao leste de Khan Yunes, sul da Faixa de Gaza.
Desde o início da ofensiva israelense na quarta-feira da semana passada, em resposta aos disparos de foguetes palestinos, morreram 90 pessoas: 87 palestinos e três israelenses. O domingo foi o dia mais violento, com 31 mortes, em sua maioria mulheres e crianças.


Bombardeios israelenses deixam pelo menos 10 mortos na Faixa de Gaza

Desde o início dos confrontos, 90 pessoas perderam a vida


Bombardeios israelenses deixam pelo menos 10 mortos na Faixa de Gaza Mohammed Abed/AFP
Ataques aéreos destruíram prédios na Faixa de Gaza nesta segunda-feira Foto: Mohammed Abed / AFP
Dez pessoas, incluindo uma criança de cinco anos, morreram na manhã desta segunda-feira na Faixa de Gaza no sexto dia da ofensiva militar israelense, que desde o início provocou 87 mortes, informaram fontes médicas palestinas.
Quatro pessoas, incluindo um menino de cinco anos e duas mulheres de 20 e 23 anos, morreram em um ataque no bairro de Zeitun, na cidade de Gaza. Três palestinos da mesma família morreram em um ataque com foguete contra um carro no qual circulavam por Deir al-Balah, centro da Faixa de Gaza.
Além disso, um fazendeiro de 50 anos foi encontrado morto na cidade de Beit Lahiya, norte do território palestino. Outros dois agricultores morreram em um ataque em Qarara, ao leste de Khan Yunes, sul da Faixa de Gaza.
Desde o início da ofensiva israelense na quarta-feira da semana passada, em resposta aos disparos de foguetes palestinos, morreram 90 pessoas: 87 palestinos e três israelenses. O domingo foi o dia mais violento, com 31 mortes, em sua maioria mulheres e crianças.


Comunidade internacional pressiona por cessar-fogo entre Israel e Hamas

Tentativa de achar uma solução foi posta em prática durante todo o domingo, em meio à escalada da violência


Em meio a uma intensa pressão internacional por um cessar-fogo que evite a invasão terrestre da Faixa de Gaza por forças israelenses, a escalada de violência entre Israel e facções palestinas entrou neste domingo em uma nova fase, mais sangrenta.
Num movimento sem precedentes, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e os chanceleres britânico e francês expressaram reservas sobre um possível avanço da infantaria israelense sobre Gaza, território palestino sob governo autônomo desde 2005.
— Israel tem todo direito de esperar que mísseis não sejam lançados contra seu território. Se pudermos conseguir isso sem o aumento da atividade militar em Gaza — é preferível. Não é preferível apenas para as pessoas em Gaza. É também preferível para os israelenses, porque, se tropas israelenses entram em Gaza, eles estão muito mais arriscados a morrer ou ser feridos. Vamos ver que tipo de progresso podemos fazer nas próximas 24, 36, 48 horas — disse Obama em Bangkok.
Em tom semelhante, o ministro do Exterior britânico, William Hague, disse que uma invasão terrestre da Faixa de Gaza seria negativa:
— Uma invasão terrestre em Gaza faria Israel perder muito da compaixão e do apoio internacional que tem nessa situação.
Em visita a Israel e aos territórios palestinos, o ministro do Exterior da França, Laurent Fabius, pregou:
— A guerra não é uma opção. Nunca é uma solução. É preciso intervir com urgência. Há duas palavras-chave: urgência e cessar-fogo.
Em Gaza, o domingo terminou, segundo o governo israelense, com 50 alvos atingidos, entre eles lançadores de foguetes e túneis utilizados para contrabandear armas. O número de civis palestinos mortos chegou a 11 — o mais alto desde o início do que as forças armadas de Israel batizaram de Operação Pilar de Defesa — incluindo cinco crianças. Foram atingidas duas sucursais de TVs árabes que eram compartilhadas com emissoras estrangeiras. Numa delas, oito jornalistas ficaram feridos e um deles teve a perna amputada.
Do lado israelense, as sirenes antimíssil soaram pelo quarto dia consecutivo em Tel-Aviv. Dois israelenses sofreram ferimentos leves e sérios quando um foguete atingiu um carro em Ofakim e pelo menos um ficou seriamente ferido em Sha'ar Hanegev.


Na Índia, estupro destrói família e quebra o silêncio das vítimas

Série de casos de violência sexual contra mulheres revolta população e chama a atenção do país para esse tipo de crime

Na Índia, estupro destrói família e quebra o silêncio das vítimas Enrico Fabian/NYTNS
Mulheres protestam contra o alto índice de casos de violência sexual na Índia Foto: Enrico Fabian / NYTNS
Jim Yardley
  
Dabra, Índia – Os homens estupraram a garota em sequência. Arrastaram-na para um galpão de pedra escuro, perto de um matagal; eram oito, talvez mais, fedendo a pesticida e uísque barato, e a violaram durante mais de três horas. Ela tinha 16 anos.

Quando acabaram, ameaçaram matá-la se contasse para alguém o ocorrido e, durante vários dias, a garota não falou nada. De qualquer maneira, seria difícil denunciá-los por causa da hierarquia milenar do país: ela era pobre e fazia parte dos dalit, um grupo conhecido como "os intocáveis", enquanto a maioria de seus agressores era de uma casta mais alta que dominava as terras e o poder do vilarejo.

A coisa poderia ter terminado aí, se não fosse pelos vídeos: seus agressores filmaram tudo em celulares e as imagens começaram a circular entre os homens da cidadezinha até chegar ao pai da vítima. Desesperado, ele cometeu suicídio em 18 de setembro, ingerindo pesticida. Furiosos, os dalit exigiram justiça contra os estupradores.

— Eu já tinha perdido o meu marido, nossa família tinha perdido a honra — conta a mãe da menina. — De que adiantava ficar calada?

Como em muitos outros países, o estupro sempre é encoberto pelo silêncio na Índia, principalmente nas aldeias, onde a mulher agredida é vista como motivo de vergonha, imprópria para o casamento; porém, a revolta causada pela série de crimes sexuais em Haryana, incluindo esse caso, acabou com esse costume, chamando a atenção do país para um número que não para de crescer e, ao mesmo tempo, expondo a estrutura de poder conservadora e machista do estado, onde as vítimas de agressão sexual são quase sempre tratadas com total indiferença.

Num país que enfrenta drásticas mudanças, os casos de estupro cresceram numa proporção alarmante, de quase 25 por cento em seis anos, que reflete, em parte, as denúncias das vítimas. A mudança dos papéis sexuais no país também contribui, já que há mais meninas frequentando escolas, trabalhando e escolhendo seus próprios maridos ‒ tendências que alguns homens veem como ameaça.

É comum ver na imprensa indiana casos horríveis de estupros coletivos que antes eram raríssimos. Às vezes, os grupos de jovens encontram um casal – que geralmente está se encontrando às escondidas – e estupram a garota. Para os analistas, o problema está relacionado ao excesso de homens jovens, muitos desempregados, consumindo álcool e drogas, incomodados com a nova visibilidade da mulher na sociedade.

— Essa visibilidade é vista como ameaça e desafio — diz Ranjana Kumari, diretor do Centro de Pesquisa Social em Nova Déli.

Em Haryana, a reação que se seguiu à descoberta do estupro foi da denúncia às acusações à vítima. Um porta-voz do Partido do Congresso chegou a afirmar que 90 por cento dos casos de estupro começam como sexo consensual. Grupos de direitos da mulher ficaram indignados depois que um líder da cidade justificou o crime culpando o desejo sexual da adolescente pela violência.

— Acho que, aos 16 anos, a garota já deveria estar casada; dessa forma teria o marido para saciar suas necessidades, não precisaria sair por aí —disse Sube Singh ao canal IBN Live. — Se fosse assim, nada disso teria acontecido.

As mulheres mais vulneráveis são as dalit, casta mais baixa da estrutura social indiana. Dos últimos 19 casos de violência sexual em Haryana, pelo menos seis vítimas eram desse grupo. Uma delas cometeu suicídio, ateando fogo ao próprio corpo, depois de ser violentada por vários rapazes; outra, de 15 anos e deficiente mental, foi violentada em Rohtak, mesmo bairro onde uma menina de treze foi estuprada pelo vizinho.

— Se você é mulher e pobre e for estuprada, não pode nem sonhar com justiça nesta vida — escreveu a colunista Kalpana Sharma no The Hindu, um jornal nacional de língua inglesa. — Se, além de tudo isso, ainda for dalit, a situação ainda é mais crítica.

Haryana é um dos bastiões mais arraigados do patriarcado feudal. A preferência social por filhos homens contribui para que muitos casais abortem bebês do sexo feminino, fazendo com que o estado tenha o maior desequilíbrio entre sexos do país, com 861 mulheres para cada mil homens. Politicamente, a casta dos jat é quem domina os conselhos informais, todos formados por homens, conhecidos como "khap panchayats".
Os líderes eleitos relutam em enfrentar seus membros, já que eles têm o poder de manipular a população ‒ e quase sempre apoiam iniciativas conservadoras, nas quais a mulher tem um papel subserviente ao homem. Já tentaram, por exemplo, proibir as mulheres de vestir jeans e usar celular. Jitender Chhatar chegou a culpar o fast-food pelo aumento do número de casos de estupro, alegando que causa desequilíbrio hormonal e aumenta o desejo sexual das meninas. Singh, que sugeriu que se diminuísse a idade legal para o casamento, também faz parte do conselho.

— Para eles, é mais fácil culpar a vítima — afirma Jagmati Sangwan, presidente da divisão da Associação Nacional Democrática Feminina em Haryana. — Assim desviam a atenção do crime, dos criminosos e das causas.

Mesmo assim, a revolta popular só faz crescer. Pequenos protestos começam a pipocar pelo estado, incluindo o de outubro, na cidade de Meham, onde cerca de cem pessoas se reuniram na frente da delegacia por causa do estupro de uma garota de 17 anos, empunhando cartazes em que se lia: "Cadeia para os estupradores!" e "Justiça para as mulheres" e cantavam: "Fora, polícia de Haryana!".

Em Dabra, a cerca de 160 quilômetros da fronteira com o Paquistão, os moradores explicam que não há khap panchayat, mas um conselho eleito cuja posição máxima, conhecida como sarpanch, é reservada a uma mulher; apesar disso, a dominância masculina é total. Atualmente, o cargo é ocupado pela mulher de um líder jat que a usa como fantoche para driblar as restrições. Durante entrevista com o marido, a sarpanch oficial ficou sentada à porta, com o rosto coberto por um véu. "Não, não", ela respondeu quando pedi sua opinião, e apontou para o marido. "Ele é o sarpanch. Por que falar comigo?"

O estupro coletivo da menina de 16 anos ocorreu em 9 de setembro, mas permaneceu em sigilo até o suicídio de seu pai, quando os dalit formaram um comitê para exigir justiça, reunindo 400 pessoas num protesto na porta da delegacia regional e no hospital onde o corpo do pai da menina estava sendo mantido.

— Dissemos para a polícia que, se não pegassem os suspeitos, nós não íamos recolher o corpo — explicou uma mulher chamada Maya Devi. — Não temos terras, não temos dinheiro. Só o que nos resta é a honra. Se ela também nos for tirada, não teremos mais nada.

Desde então, oito homens foram detidos e confessaram o crime. Sete deles são jat. Há contradições; a vítima diz que foi abduzida fora do vilarejo, enquanto os suspeitos afirmam que a atacaram depois de vê-la com um homem casado.

— Ela manteve relações sexuais contra a vontade — disse B. Satheesh Balan, chefe de polícia. — Disso, não há dúvida.

Segundo ele, os moradores do vilarejo revelaram à polícia que outras meninas já tinham sido violentadas no mesmo galpão, embora não haja nenhuma evidência. Na grande maioria dos casos, a família da moça prefere esconder a violência a permitir que ela seja estigmatizada. Mesmo os defensores da vítima duvidam que ela seja aceita em Dabra.

— Vai ser difícil para ela, pois ficou marcada — diz Devi.

Em entrevista na casa dos avós, fora do vilarejo, a vítima acredita que alguns suspeitos ainda estejam soltos e se sente ameaçada. (Policiais femininas estão de guarda na casa 24 horas por dia.)

Mesmo assim ‒ e apesar das ameaças dos agressores ‒ ela participou dos protestos e pressiona a polícia. — Eles me ameaçaram e disseram que iam matar a minha família se eu contasse para alguém — ela conta. Muitas meninas dalit param de estudar cedo, mas a vítima estava se formando no ensino médio. Mesmo depois do estupro, elas chegou a fazer as provas finais de economia, história e sânscrito, mas não quer mais voltar para a escola do vilarejo e não sabe o que será do futuro. — Antes, eu tinha muitos sonhos —  disse ela. — Agora não sei se vou poder realizá-los. Meu pai queria que eu fosse doutora, mas não sei se vou chegar lá.

THE NEW YORK TIMES NEWS SERVICE.

Bashar al-Assad rejeita exílio e diz que irá "viver e morrer na Síria"

Ditador afirma ainda que intervenção estrangeira no conflito pode ter "consequências globais"


Bashar al-Assad rejeita exílio e diz que irá "viver e morrer na Síria" STR/AFP
Enquanto conflito aumenta entre rebeldes e governo, refugiados continuam atravessando a fronteira do país com a Turquia Foto: STR / AFP
O presidente sírio, Bashar al-Assad, rejeitou nesta quinta-feira os apelos para que busque uma saída segura, afirmando que irá "viver e morrer na Síria", em uma entrevista à rede de televisão internacional russa.

— Eu não sou uma marionete. Eu não fui feito pelo Ocidente para ir ao Ocidente ou para qualquer outro país — disse Assad, que enfrenta uma revolta de quase 20 meses contra seu governo, à rede de televisão em inglês, de acordo com trechos publicados no site do canal.

— Eu sou sírio, eu fui feito na Síria, eu tenho que viver na Síria e morrer na Síria — acrescentou.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, lançou na terça-feira a ideia de conceder a Assad uma saída segura do país, afirmando que isso poderia ser arranjado, embora ele deseje que o líder sírio enfrente a justiça internacional. Assad também alertou que uma intervenção estrangeira para lidar com o conflito sírio teria "consequências globais" e afetaria a estabilidade regional.

— Somos o último bastião do secularismo e da estabilidade na região... irá ocorrer um efeito dominó que atingirá o mundo, do Oceano Atlântico ao Pacífico. Eu não acho que o Ocidente vai (intervir), mas, se fizer isso, ninguém pode prever o que irá acontecer — afirmou.

Em outro vídeo com trechos da entrevista, Assad também ressaltou:

— O preço desta invasão, se ocorrer, será muito grande, maior do que o mundo pode aguentar.

Muitos entre a oposição síria, incluindo rebeldes armados que travam sangrentas batalhas com as forças pró-regime, convocaram a comunidade internacional a intervir para deter a violência no país, que, segundo grupos de direitos humanos, já deixou mais de 37 mil mortos.

Atentado contra forças do regime sírio deixa 50 mortos em Hama

Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, explosão de carro-bomba ocorreu perto de centro do exército

Ao menos 50 membros das forças do regime do presidente sírio Bashar al-Assad morreram nesta segunda-feira na explosão de um carro-bomba na província de Hama, centro do país, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

— Ao menos 50 soldados e milicianos pró-regime morreram na explosão de um carro-bomba perto de um centro do exército — indicou Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH.

Além disso, nas últimas 24 horas mais de 30 pessoas morreram no campo palestino de Yarmuk, em Damasco, em confrontos entre o exército sírio e os rebeldes. Na manhã desta segunda-feira, sete pessoas morreram em um ataque com morteiro no campo de refugiados, no qual vivem 150 mil palestinos.

Também nesta segunda-feira, várias pessoas ficaram feridas em um atentado cometido no bairro de Mazeh, oeste de Damasco, informou a televisão oficial síria, que atribuiu o ataque a "terroristas".

"A explosão em Mazeh Jabal foi provocada por uma carga depositada por terroristas na praça Arus al-Jabal, que estava lotada", informou a televisão estatal. Segundo a emissora, os feridos estão em situação grave. Mazeh é um importante bairro residencial que abriga embaixadas e edifícios dos serviços de segurança.

Assassinatos abalam líderes locais na Índia

Violência ameaça população em pequenos vilarejos na zona rural de Caxemira

Assassinatos abalam líderes locais na Índia Kuni Takahashi/NYTNS
Mohammad Abdulla Lone, na foto, lamenta mortes e violência em sua comunidade Foto: Kuni Takahashi / NYTNS
Jim Yardley
  
Nowpora Jagir, Índia – No dia em que foi assassinado, Mohammad Shafiq Teli trabalhava numa nova rede de esgoto, exatamente o tipo de trabalho pouco atraente, ainda que ideal, que os governantes do povoado deveriam providenciar. Só que, há mais de três décadas, não existe governo local nos vilarejos da Caxemira, o paiol de pólvora da Índia.

No ano passado, apesar da ameaça de violência, moradores da zona rural da Caxemira compareceram em grande número para eleger conselhos locais, conhecidos como "gram panchayat", no que se tornou uma vitória para a democracia de base numa terra encharcada de sangue. Os novos eleitos, como Teli, passaram a trabalhar em projetos de desenvolvimento há muito tempo negligenciados.

Contudo, no dia 23 de setembro, enquanto caminhava para fazer as orações noturnas na mesquita, Teli foi morto a tiros. A morte aconteceu dias depois do assassinato de um líder de panchayat num vilarejo próximo. De forma misteriosa, pôsteres apareceram em aldeias diferentes, pedindo a renúncia de membros do panchayat. Em pânico, centenas já anunciaram o desligamento, e muitos dos conselhos pararam de funcionar.
A intenção dos assassinatos parecia clara: aqui, num distrito da Caxemira com um longo histórico de derramamento de sangue, alguém desejava boicotar os panchayats. Mas quem? E por quê?

— Existem forças que não desejam ver o sucesso dos panchayats — afirmou Mohammad Altaf Malik, um líder de aldeia. — As eleições ao conselho criaram uma enorme esperança entre o povo. Agora, essa esperança está diminuindo lentamente.

A Caxemira é o enigma persistente e não resolvido do Sul Asiático, região em grande parte muçulmana, com céus azuis e ao lado dos picos do Himalaia recobertos de neve, que já testemunhou uma insurreição sangrenta e continua sendo reivindicada tanto pela Índia quanto pelo Paquistão, mesmo enquanto alguns caxemirenses aspiram à independência pura e simples. Centenas de milhares de militares indianos e outras forças de seguranças permanecem postadas na Caxemira; a região vivenciou confrontos raivosos de verão entre jovens atiradores de pedra e soldados em 2010.

Ano passado, com a tranquilidade restaurada, o governo estadual realizou as eleições aos panchayats. Grupos militantes pediram o boicote, mas o comparecimento dos eleitores foi esmagador, estimado em 80 por cento. Logo depois, os líderes eleitos, como Teli, começaram a dirigir projetos dentro das vilas. E, então, em setembro, ele foi assassinado.

— Ele não foi ameaçado — disse Parvena Begum, 35 anos, cunhada, sentada no chão da casa da família, com a viúva de Teli e duas filhas adolescentes. — Meu cunhado nem imaginava que seria morto.

A princípio, as autoridades estaduais culparam grupos de militantes pelas duas mortes, mas durante entrevista recente, Omar Abdullah, ministro-chefe do Estado, ofereceu outra perspectiva. Os investigadores identificaram um militante como suspeito pelo assassinato de Teli, mas as investigações prosseguiam, pois o motivo poderia estar ligado a rivalidades locais e não num movimento terrorista mais amplo.

Os panchayats existem há muito tempo na Índia, mas a ausência do sistema na Caxemira era um sinal de que o poder político e o clientelismo continuavam a existir entre os legisladores e administradores estaduais. Os panchayats abalaram essa estrutura política, principalmente quando os líderes eleitos conhecidos como "sarpanches" – começaram a reclamar que a ordem estabelecida não estava transferindo o poder e o dinheiro, como exigido por lei.

— É preciso compreender que não havia um sistema de panchayats em ação por aqui durante mais de três décadas — afirmou Abdullah. — Assim, toda uma geração de líderes políticos e administrativos envelheceu sem ter de trabalhar com um grupo de representantes eleitos. Claramente, os primeiros preferiam não ter de lidar com os segundos.

Enquanto os investigadores continuam tentando solucionar os assassinatos, diferentes teorias e acusações vieram à tona. Os líderes do movimento separatista da Caxemira condenaram as mortes, mas alegam que a possibilidade de envolvimento oficial não poderia ser descartada.

— Todos dirão que os militantes os mataram — declarou Mirwaiz Umer Farooq, líder separatista moderado. — Entretanto, a coisa não é tão simples. Não podemos excluir o fato de existirem muitas agências trabalhando com objetivos contrários.

Aqui em Nowpora Jagir, situada no sopé do Himalaia, o trabalho do panchayat terminou abruptamente após o assassinato de Teli. Antes do fato, as autoridades eleitas, compostas por moradores comuns, alguns analfabetos, estavam cuidando de vários projetos deixados de lado, principalmente do fornecimento de água potável para o povoado.

— São os pobres do vilarejo que se beneficiam com os panchayats — afirmou Mohammad Abdulla Lone, 40 anos, que foi sarpanch antes de anunciar a renúncia num jornal local. — Demos início a várias obras de desenvolvimento, agora, porém, tudo parou. Não sabemos quem os matou.

O primeiro assassinato aconteceu em 10 de setembro em Palhallan, vila próxima na qual os militantes ainda estariam em atividade. A vítima foi o sarpanch, Ghulam Mohammad Yatoo, 59 anos. A morte provocou o medo entre os outros representantes, os quais renunciaram em massa. Menos de duas semanas depois, Teli foi assassinado. Então, outros sarpanches da região renunciaram por temerem ser o próximo alvo.

— Por favor, diga às pessoas que não temos nada a ver com o panchayat — disse Dilshada Begum, 37 anos, esposa de Lone, o sarpanch que renunciou. — Por favor, diga a todos. Tenho oito filhos e somente ele trabalha. Se algo lhe acontecer, o que será de mim?

Em grande medida, as mortes e renúncias se deram numa região da Caxemira que há tempos enfrenta a militância, violência e presença militar opressiva. No total, mais de 900 membros de panchayat renunciaram, publicando anúncios nos jornais ou por meio de declarações nas mesquitas.

Abdullah, o ministro-chefe, assinala que a maioria dos panchayats dos Estados de Jammu e Caxemira continua funcionando. Ele espera que muitas das pessoas que renunciaram mudem de ideia assim que os assassinatos forem solucionados. De acordo com o ministro-chefe, o governo não aceitou nenhuma das renúncias.

— Essas áreas, principalmente onde os ataques aconteceram, estão meio abaladas — argumentou Abdullah. — No entanto, acredito que os panchayats voltarão a funcionar.

Por ora, porém, o medo persiste. — Não saio de casa à noite — disse Lone, o sarpanch de Nowpora Jagir que abriu mão do cargo. — Somente Alá sabe o que vai acontecer, quem mata e quem morre. 
 
 

Ataque talibã contra jovem Malala mudou o Paquistão, diz seu pai

Malala recebeu a visita da família em hospital em Birmingham, onde está sendo tratada

Ataque talibã contra jovem Malala mudou o Paquistão, diz seu pai Hospital Rainha Elizabeth,Divulgação/AP
Malala Yousufzai posa para fotógrafos na cama do hospital junto ao pai, Ziauddin, e aos irmãos Foto: Hospital Rainha Elizabeth,Divulgação / AP
O Paquistão se levantou após o ataque contra a jovem Malala Yousafzai pelos talibãs, o que constitui virada para o país, declarou seu pai, Ziauddin Yousafzai, durante uma coletiva de imprensa após visitar a menina no hospital Birmingham (centro da Inglaterra).

— Quando ela caiu, o Paquistão se levantou e o mundo também. Este foi um ponto de virada —, considerou Yousafzai, que chegou na quinta-feira no Reino Unido acompanhado por sua esposa e dois filhos, de 8 e 12 anos.

O pai de Malala, que visitou a filha de 15 anos na noite de quinta-feira, afirmou que seu estado de saúde "melhora a uma velocidade encorajadora".

— Estamos muito felizes. Ela recebe o tratamento certo no lugar certo na hora certa.Quando a vimos na noite passada, choramos de alegria —, acrescentou durante a coletiva de imprensa que também teve a participação de seus filhos, mas não da mãe de Malala, intimidada pelas câmeras, de acordo com o seu marido.

Há alguns dias, Malala conseguiu ficar de pé com a ajuda da equipe médica pela primeira vez desde o atentado.

Ela também está se comunicando com algumas notas por escrito, segundo o médico encarregado de seu tratamento.

Malala foi baleada em um ônibus escolar no antigo reduto talibã do Vale do Swat na semana passada como punição por defender os direitos das mulheres à educação, em um ataque que revoltou o mundo.

Mensagens de apoio de admiradores e ativistas dos direitos humanos foram deixadas no site do hospital, a maioria delas elogiando sua campanha e rezando por sua recuperação.

Doações para seu tratamento, que está sendo financiado pelo governo do Paquistão, estão sendo repassadas ao Hospital Queen Elizabeth.

Malala é conhecida no exterior por seu blog, hospedado no site da BBC, no qual denuncia os atos de violência cometidos pelos talibãs no Vale de Swat, onde chegaram a tomar o poder entre 2007 a 2009.

No ano passado, a adolescente recebeu o primeiro Prêmio Nacional da Paz criado pelo governo paquistanês e foi indicada ao prêmio internacional de Crianças para a Paz da fundação Kids Rights.

Malala foi ferida por tiros no dia 9 de outubro, em Mingora, a principal cidade do Vale de Swat (noroeste do Paquistão) por homens armados que pararam o ônibus escolar em que ela estava.

O Talibã reivindicou a autoria do atentado contra Malala, mas tentou se justificar pelo ato condenado de forma unânime pelos Estados Unidos, França, organizações dos direitos Humanos, governo e imprensa paquistaneses.

— Malala foi alvo por seu papel pioneiro na defesa da laicidade e da chamada moderação —, escreveu em um e-mail. 
 

Exército e rebeldes entram em confronto e rompem trégua negociada pela ONU

Combates foram registrados na periferia de Maaret al-Numan, conforme constatou observatório

Violentos combates explodiram na manhã desta sexta-feira na Síria, nas proximidades de uma base do exército na periferia de Maaret al-Numan, no que constitui a "primeira violação" da trégua negociada pela ONU por ocasião da festividade muçulmana de Eid al-Adha, denunciou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

— Os violentos combates começaram às 10h30min (5h30min de Brasília) ao redor da base de Wadi Deif. O exército respondeu com um bombardeio na localidade Deir Sharqui. É a primeira violação da trégua — afirmou à AFP Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH.

Rahman afirmou que entre os insurgentes há combatentes da Frente Islamita Al-Nosra, que reivindicou muitos atentados na Síria e que rejeitou a trégua negociada pelo mediador internacional Lakhdar Brahimi. Além disso, diversas manifestações contrárias ao governo de Bashar al-Assad aconteceram na manhã desta sexta-feira na saída das mesquitas, no primeiro dia do cessar-fogo estabelecido pela Eid al-Adha.

De acordo com o OSDH, as principais manifestações aconteceram em Raga, nordeste do país, onde as forças de segurança usaram bombas de gás lacrimogêneo. Também foram registrados protestos na província de Deraa, especialmente em Inkhel, onde três pessoas foram feridas a tiros.

Manifestações aconteceram ainda em Damasco, Aleppo (norte) e Deir Ezzor (leste). A trégua, obtida por Brahimi, deve durar quatro dias, mas cada parte se reservou o direito de responder no caso de desrespeito do cessar-fogo.

Nesta sexta-feira, a televisão oficial síria exibiu imagens do presidente Bashar al-Assad rezando em uma mesquita de Damasco. A última aparição pública de Assad havia acontecido em 21 de outubro, quando teve um encontro com Lakhdar Brahimi.

Cidade britânica vive agitação pelo caso da jovem Malala

Comunidade paquistanesa em Birmingham faz vigílias em apoio a Malala, 15 anos, ferida gravemente ao ser atacada pelo Talibã


Cidade britânica vive agitação pelo caso da jovem Malala Alastair Grant/AP
Hospital onde Malala está internada fica em Birmingham Foto: Alastair Grant / AP
Melissa Becker
Além de causar comoção ao redor do mundo, o caso de Malala Yousafzai fez a segunda cidade inglesa se envolver de forma intensa no episódio.
Alvejada na cabeça e no pescoço por um atirador do Talibã no Paquistão, a menina tem agitado Birmingham, na região central do país, desde sua transferência para receber tratamento médico. A comunidade paquistanesa local organiza vigílias. Ontem, a ativista seguia internada em condição estável.
Dos casos atendidos pelo Queen Elizabeth Hospital, o de Malala foi o que mais recebeu atenção da mídia. Localizada a 195 quilômetros da capital britânica, a instituição está às voltas com pedidos de entrevistas para livros e documentários, além do interesse de pessoas que querem manifestar desejo de melhoras para a adolescente. Agências de notícias chegaram a divulgar que duas pessoas teriam sido presas no hospital. A polícia esclareceu que não houve prisões, mas duas pessoas teriam tentado forçar uma visita a Malala, passando-se por familiares.
— Estamos reunindo todos os pedidos da imprensa e pretendemos passá-los para parentes de Malala, para que eles decidam com quem falar. A família está no Paquistão, e ela está longe de conversar com qualquer pessoa — explica Carole Cole, chefe de comunicação do Queen Elizabeth.
A instituição tem experiência no tratamento de feridos por armas de fogo e explosões, como sede do Centro Real de Medicina da Defesa, maior unidade para militares atingidos fora do país.
Outro fator a reforçar a ligação da cidade com o caso é que 9,7% de sua população de pouco mais de 1 milhão de habitantes tem a mesma origem étnica de Malala, conforme o Escritório de Estatísticas Nacionais britânico. Os primeiros imigrantes chegaram a Birmingham nas décadas de 1930 e 1940 para trabalhar nas fábricas de munição durante a II Guerra. Hoje, seria a segunda maior comunidade paquistanesa na Inglaterra, apenas atrás de Londres, de acordo com números oficiais, mas Iqbal sustenta que seria possivelmente a maior da Europa.
— Primeiro, todos ficaram alarmados e chocados com o que aconteceu com Malala, mas depois, orgulhosos, pelo fato de ela estar sendo tratada em Birmingham. Acho que milhares de pessoas querem encontrá-la — diz Mariam Khan, integrante da comunidade e uma das conselheiras da cidade (cargo semelhante ao de vereador).
"Eu sou Malala", dizem os cartazes
Uma vigília organizada pelo grupo Women's Networking Hub, no último sábado, reuniu dezenas de apoiadores, de diferentes credos e etnias, com velas, no centro de Birmingham. Na quinta-feira, em outra manifestação, mulheres seguraram cartazes onde se lia "I am Malala" ("Eu sou Malala").
— Ela é tão inteligente, tão corajosa — destacou uma das participantes, apesar de não querer falar mais, nem dar seu nome, por ter "problemas com a língua inglesa". Assim como outros moradores de Birmingham, ela tem parentes no Paquistão.
Moradora de Coventry, cidade vizinha, Helen Cox se juntou à vigília. Ela divulgou para amigos e familiares um manifesto online para o governo paquistanês impulsionar a educação feminina no país asiático.
Já o engenheiro Tom Phillips levou os dois filhos — Harry, sete anos, e Danny, três anos — à mobilização:
— Sinto que é importante que nossas crianças se deem conta de que as pessoas estão se levantando contra. Não é só o caso de estar acontecendo fora do país ou aqui. Expliquei que, em algumas regiões do Paquistão, a educação não é aberta a todos, que as mulheres precisam lutar por acesso à educação. Na Grã-Bretanha, Malala teria a oportunidade, e lá, não, e as pessoas não querem que ela tenha. É essa a razão para que eles estejam cientes disso.

Mudança no nome de universidade provoca descontentamento e violência no Afeganistão

Decisão de rebatizar instituição de ensino em homenagem a mártir afegão gera protestos em Cabul


Mudança no nome de universidade provoca descontentamento e violência no Afeganistão Maurico Lima/NYTNS
Na foto, estudante é preso por oficiais afegãos durante manifestação contra a renomeação de universidade Foto: Maurico Lima / NYTNS
Rod Nordland
  
Cabul, Afeganistão – O estudante de graduação em ciências sociais chamado Abdul Basir estava no meio de uma entrevista em que falava porque não queria que sua universidade mudasse de nome.

— Não queremos que a política invada a universidade — falou com voz suave, em tom conciliador. — Ela não deveria receber o nome de uma figura política.

De repente, o rosto de Basir foi atingido por um soco desferido por alguém que discordava. Assim começava mais uma briga entre grupos rivais por conta da decisão do Presidente Hamid Karzai de mudar o nome da Universidade de Educação de Cabul para Universidade Mártir da Paz Professor Burhanuddin Rabbani.

Muitos estudantes foram mais incisivos que Basir, dizendo que, apesar de Rabbani ser realmente um mártir, é difícil chamá-lo de pacífico e sua única ligação com a universidade é o fato de tê-la bombardeado durante a guerra civil.

Semanas de protestos pacíficos em torno da mudança de nome praticamente fecharam a universidade, uma instituição com 7 mil estudantes e a segunda maior faculdade de Cabul.

— Dezessete dias de protestos pacíficos, isso é um recorde no Afeganistão — afirmou um dos líderes estudantis, Aziz Rahman.

Contudo, as coisas ficaram violentas nos últimos tempos, quando apoiadores da mudança de nome – quase todos de fora da universidade – atacaram centenas de manifestantes com pedras, obrigando-os a voltar correndo para dentro do campus.

Dez policiais ficaram feridos ao tentar reestabelecer a ordem e inúmeros estudantes foram presos – a maior parte entre a multidão anti-Rabbani. Policiais à paisana confiscaram facas e socos ingleses de ambos os lados. Caminhões da polícia foram vistos levando opositores da planície de Shomali, uma área ao norte de Cabul repleta de apoiadores de Rabbani, que foi morto no ano passado, ao local onde os estudantes protestavam.

Em meio ao tumulto, o telefone tocou no bolso do reitor da universidade, Amanullah Hamidzai, que estava no campus, cercado por muito mais policiais do que manifestantes. Segunde ele, era Karzai do outro lado da linha.

— O presidente me disse para sermos cuidadosos com os estudantes, para sermos gentis com eles — afirmou Hamidzai. — Imagine, o presidente ligando para mim. Ele está muito preocupado com isso tudo.

Entretanto, as opções do presidente são limitadas, após jurar em um recente discurso que não iria voltar atrás em respeito à memória de Rabbni. O governo conta com muitos aliados de Rabbani em posições de poder.

Rabbani era o líder do partido Jamiat-i-Islami, um grupo étnico tajik que lutou contra o Talibã, contra os soviéticos e, mais tarde, contra outras facções durante a guerra civil dos anos 1990. A Human Rights Watch afirmou em um relatório de 2005 que o líder deveria ser investigado por atrocidades cometidas, "incluindo assassinato de civis, espancamento de civis, sequestros baseados em origem étnica, saques e trabalhos forçados".

Além disso, Rabbani foi presidente do Afeganistão por um curto período, após a queda do Talibã, e entregou pacificamente o poder a Karzai em 2001. Os pashtuns, em sua maior parte do sul e do leste do país, são o grupo étnico mais numeroso do Afeganistão e, enquanto pashtun, Karzai era visto como uma figura menos conflituosa que uma pessoa do norte, como Rabbani. A maior parte dos talibãs também são pashtuns.

Mais tarde, Karzai apontou Rabbani como chefe do Supremo Conselho da Paz, um órgão designado para buscar a reconciliação com o Talibã – aparentemente para afastar os temores da população do norte do país de que um acordo de paz feito apenas entre os pashtuns poderia deixá-los de fora. No ano passado, um homem fingindo ser um emissário da paz Talibã era, na verdade, um homem-bomba com explosivos no turbante que acabou mantando Rabbani.

Para relembrar o aniversário de um ano de morte de Rabbani no dia 21 de setembro, um decreto presidencial deu o nome do líder tajik assassinado para uma importante rua de Cabul e para o aeroporto de Kandahar, além disso, a Universidade de Educação de Cabul foi rebatizada como Universidade Rabbani.

Os protestos começaram logo em seguida. Como praticamente tudo no país, o conflito possuía um tom claramente étnico, com estudantes pashtuns e hazaras na linha de frente e oponentes da etnia tajik, que, em sua maior parte, não eram estudantes.

— Rabbani merece isso — afirmou Sayid Bahramudin, um tajik de Baghlan que afirmou ser estudante da "Universidade de Educação de Cabul", esquecendo-se por um segundo do nome que defendia com tanta veemência. — Ele se sacrificou pela paz, para trazer paz aos povos. — Segundo ele, os manifestantes "são todos estrangeiros e terroristas". O ponto de vista de Rahman, o líder estudantil da etnia pashtun, graduando na faculdade de letras, era completamente diferente.

— Era Rabbani que atirava mísseis contra a universidade durante a guerra civil —afirmou. — Como podemos dar o nome dele a essa instituição?

Na época, a universidade se chamava "Instituto de Pedagogia" e servia de base para os combatentes da etnia hazara.

Outro jovem manifestante, Zmarai Kochi, afirmou ter fortes objeções práticas à mudança de nome.

— Imagine se tivesse uma identificação com esse nome em sua carteira e fosse pego na província de Wardak? — questionou, fazendo referência a uma região de maioria pashtun. — Você seria morto por conta disso.

Outros estudantes reclamaram que, em praticamente dois terços do Afeganistão, seria impossível conseguir um emprego com um diploma da Universidade Rabbani; justamente em um país onde a falta de professores é um problema generalizado.

Hamidzai, o reitor, afirmou que se "abstém" de fazer qualquer comentário sobre a mudança de nome, mas destacou que Rabbani jamais colocou os pés no campus.

Hamidzai afirmou que o presidente concordou em permitir que todos os estudantes atualmente matriculados recebam diplomas e outros documentos com o nome antigo.

— Esse foi um bom acordo — afirmou.

Entretanto, os líderes estudantis rejeitaram a medida.

— Não estamos lutando apenas para nós mesmos — afirmou Rahman. — Estamos lutando pelo futuro da universidade e do Afeganistão. 
 

Suspeitos de ataque a jovem ativista do Paquistão são presos, diz CNN



Suspeitos de ataque a jovem ativista do Paquistão são presos, diz CNN cnn/Reprodução
Atta Ullah Khan, 23 anos, é o principal suspeito do atentado Foto: cnn / Reprodução
Nove pessoas foram presas por conexão com o atentado a jovem ativista paquistanesa Malala Yousafzai embora o principal suspeito permaneça foragido. A informação é da TV a cabo americana CNN.
De acordo com a CNN, o homem foi identificado pela polícia como Atta Ullah Khan, um estudante de química de 23 anos que morava no na região do Vale do Swat — um conhecido reduto do Talibã e mesma região da família de Malala.
Os oficiais prenderam a mãe, o irmão e a noiva do suspeito, embora a polícia tenha tenha dito que não são acusados de envolvimento no crime.
No dia 9 de outubro, Malala foi alvo de um ataque em Mingora, noroeste do Paquistão. A menina foi atingida por tiros no ombro e na cabeça. A adolescente foi transferida na segunda-feira a Birmingham (Grã-Bretanha), para um hospital que atende os soldados feridos no Afeganistão.
O ataque provocou uma grande comoção em todo o mundo e no Paquistão, onde um sentimento antitalibã foi registrado em várias regiões do país de mais de 180 milhões de habitantes, onde foi percebido um aumento do fundamentalismo religioso nos últimos anos.
O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, chegou a afirmar que os tiros disparados por extremistas talibãs contra a adolescente Malala representam "um ataque contra todas as meninas" do país.